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O pedido de Ronaldo ao árbitro Jonas Eriksson que o sueco não percebeu

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O sueco Jonas Eriksson arbitrou o primeiro jogo de Cristiano Ronaldo nas seleções, há 20 anos, numa estreia a marcar, mas foi após o primeiro hat-trick do português na Champions que mais falaram.

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Eu não sabia que tinha sido o primeiro jogo dele. Suspeitava que fosse, porque me recordo de muitos outros jogadores da geração dele. Lembro-me, sobretudo, porque foi a primeira vez que apitei fora da Suécia”, recordou o antigo árbitro, que então tinha 26 anos, em entrevista à agência Lusa.

Cristiano Ronaldo e Eriksson iniciaram as carreiras internacionais em 24 de fevereiro de 2001, em Torres Novas, onde a seleção portuguesa de sub-15 venceu a África do Sul, por 2-1, com golos de Diogo Andrade e do atual avançado da Juventus, ambos na primeira parte.

Apitar esse jogo entre Portugal e África do Sul foi um passo muito importante para mim, para a minha vida, para a minha carreira, porque dirigi jogadores internacionais pela primeira vez, com línguas diferentes, com um futebol de alta qualidade, em que todos faziam tudo para vencer o jogo, na tentativa de chegarem a profissionais e ao mais alto nível”, afirmou Eriksson.

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Aos 16 anos, o então avançado do Sporting não passou despercebido ao árbitro, que tem guardada uma fotografia da escolha de campo, com os capitães Hugo Monteiro, pela seleção das quinas, e Lance Davids, pela África do Sul.

Eu lembro-me dele durante o jogo, porque já era um excelente jogador, mas também porque – e eu apitei jogos internacionais entre 2002 e 2018 – vi tantos jovens talentosos, com excelentes capacidades, mas que falharam o último passo para se mostrarem ao mundo e o Cristiano fê-lo de uma forma tremenda, é único, e mostrou a sua qualidade durante toda a sua carreira“, frisou.

Atualmente, com 46 anos, e 20 anos depois, o sueco reagiu com um sorriso à possibilidade de ser o segundo elemento mais célebre da ficha de jogo desse encontro para a segunda edição do Torneio Internacional de Torres Novas e Rio Maior, atendendo que arbitrou jogos de Mundiais, Europeus e Liga dos Campeões.

“É um privilégio ter seguido a sua carreira desde o seu primeiro jogo internacional e, pelos vistos, o primeiro golo, mas é engraçado porque também o arbitrei em 2012, na Liga dos Campeões, e depois do jogo, eu tinha a bola na mão, e ele dirigiu-se a mim: ‘Por favor, senhor Eriksson, posso ficar com a bola?“, recordou, admitindo, na altura, desconhecer o motivo.

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A causa foi o primeiro hat-trick do capitão da seleção portuguesa na Liga dos Campeões, em 3 de outubro de 2012, na goleada imposta pelo Real Madrid por 4-1 ao Ajax, em Amesterdão, na segunda jornada do Grupo D da prova.

Eu pensei, já deve ter marcado tantos ‘hat-tricks’, mas não, foi o primeiro na Champions, por isso, disse-lhe, ‘claro, aqui está a bola para ti’. Calculo que esteja no museu, na Madeira”, explicou, lembrando-se ainda de outro encontro em particular: “no Europeu de 2016, nas meias-finais [na vitória por 2-0 frente ao País de Gales], no qual ele fez aquele golo fantástico, com um voo sobre um adversário“.

Também Jonas Eriksson estava a iniciar a carreira e, olhando agora para trás, reconhece que o que alcançou era “um objetivo, um sonho”, mas era um “longo caminho” e, “apesar de sempre ter acreditado nas capacidades”, confessa: “Se me perguntasse em 2001 se ia arbitrar estes jogos, eu não ia acreditar”.

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Tal como os jogadores, eu, como árbitro, estou muito orgulhoso do que consegui“, vincou Eriksson, que é também empresário, reconhecendo ter vivido “um sonho em cada jogo, pela paixão ao futebol”, por “não precisar do futebol para viver”.

Atualmente, treina as equipas das duas filhas, de 12 e 15 anos, é o responsável pela formação dos árbitros do pequeno núcleo da sua zona, tendo recusado colaborar com a federação sueca e com a UEFA, para se dedicar ao “que confere energia”, a família e os negócios.

Como jovem árbitro, Eriksson cruzou-se novamente com Ronaldo, no Europeu de sub-17 de 2002, quando expulsou o então jovem avançado português, num duelo com a França.

“É verdade, e disso recordo-me, até porque tenho boa memória dos relatórios de observação. Foram dois cartões amarelos, um em cada parte, e lembro-me que ele ficou muito frustrado e rematou a bola depois de um apito. Foi claro, dei-lhe o segundo amarelo, e ele ficou muito chateado, porque perderam o jogo com a França (2-0) e ficou de fora com a Suíça (derrota por 1-0)”, descreveu.

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E a reação do português prolongou-se até ao terceiro e último jogo no grupo, frente à Ucrânia (vitória por 2-1).

Fui o quarto árbitro e lembro-me de ter olhado para mim e ainda estava muito zangado, o que eu percebo. Se eu tivesse sido jogador e jogado um Europeu de sub-17, também ficava desapontado com o árbitro, mas ele reagiu bem. Voltei a arbitrá-lo nove ou 10 vezes, acho que voltei a mostrar mais cartões, mas acho que tive uma boa relação com ele“, rematou, agradecendo com um bem pronunciado “obrigado” esta viagem pelas suas memórias.

Fonte: LUSA

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