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Textos Gerais
21/06/26 às 20:37

Selecionador chama cobaia à sua equipa por causa da lei Vini Jr

A nova regra da FIFA contra os gestos de tapar a boca já tem a sua primeira vítima no Mundial, e o selecionador do Paraguai não engoliu o vermelho. Gustavo Alfaro acusou a organização de usar a sua equipa como cobaia e deixou um aviso sombrio sobre o futuro do futebol que promete dar muito que falar nos próximos dias.

A regra é nova, nasceu de um caso que envolveu o Benfica, e já fez a primeira vítima no Mundial 2026. Na vitória do Paraguai sobre a Turquia (1-0), o médio Miguel Almirón viu o cartão vermelho direto por tapar a boca durante uma discussão com um adversário, tornando-se o primeiro jogador de sempre a ser expulso ao abrigo da chamada "Lei Vini Jr.". E o selecionador paraguaio não escondeu a revolta.

Gustavo Alfaro foi duro na análise e sugeriu que a sua equipa serviu de cobaia para a estreia da medida. O técnico considerou a sanção desproporcionada e defendeu que um simples cartão amarelo teria sido suficiente para o lance. "A única coisa que espero é que não seja uma punição exemplar. Que, de repente, acabem por dar uma sanção tão pesada que ele não perca apenas este Campeonato do Mundo, mas também o próximo", lamentou, temendo um castigo agravado para Almirón.

Mas foi no plano dos princípios que Alfaro foi mais longe, deixando um aviso sobre o rumo do jogo. "Há coisas que são punidas com um rigor excessivo, e o meu receio é que o futebol perca a sua essência. Porque o futebol tem características de contacto, disputa, luta, demonstração de coragem, firmeza", argumentou o selecionador, claramente incomodado com a severidade da arbitragem.

A nova diretriz, aprovada pela IFAB em abril, prevê expulsão para qualquer jogador que cubra a boca ao falar com adversários ou árbitros, numa tentativa de impedir que se escondam insultos. A medida ficou popularmente conhecida como "Lei Vini Jr.", em referência ao episódio da época passada em que o brasileiro do Real Madrid acusou o argentino Prestianni, então no Benfica, de ofensas racistas tapando a boca, num jogo da Champions que correu o mundo.

Curiosamente, há um detalhe que reforça as dúvidas levantadas por Alfaro. Antes de mostrar o vermelho, o árbitro nem se tinha apercebido do gesto de Almirón. Foi um jogador turco que o denunciou em campo, levando à intervenção do VAR e à expulsão. Um pormenor que promete alimentar o debate sobre uma regra que, mal entrou em vigor, já divide o Mundial ao meio.

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