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Textos Gerais
21/06/26 às 19:53

Chico Conceição: não somos obrigados a passar a Ronaldo

A pergunta era inevitável e a resposta não passou despercebida. Francisco Conceição foi confrontado em pleno Mundial sobre se a Seleção tem o dever de servir Cristiano Ronaldo, e a resposta do extremo da Juventus, ainda que rodeada de elogios ao capitão, vai dar muito que falar entre os adeptos das quinas.

A pergunta paira sobre a Seleção desde o apito final com a RD Congo, e este domingo coube a Francisco Conceição respondê-la de frente. Porta-voz de Portugal na antevéspera do jogo com o Uzbequistão, o extremo da Juventus foi questionado sobre se os companheiros procuram Cristiano Ronaldo de propósito durante o jogo. A resposta foi clara, e não é a que muitos adeptos do capitão gostariam de ouvir.

"A marcar golos não há ninguém como ele. Não sentimos essa necessidade de lhe passar a bola, passo a bola para quem acho que está melhor desmarcado", afirmou o jogador de 23 anos. E explicou o raciocínio com o ritmo do próprio jogo: "Não tenho tempo para pensar na cara do colega que está ao lado. Fazemos tudo por instinto, são milésimos de segundo. Ele está aqui para ajudar como qualquer jogador."

A frase, lida à pressa, soa a desvalorização do capitão. Mas o contexto da conferência conta outra história. Momentos antes, Conceição tinha-se desfeito em elogios a Ronaldo, num registo de admiração que não deixa margem para leituras de desrespeito. "O Cristiano é um exemplo pela fome que ainda tem aos 41 anos, motivado para treinar como se fosse o último treino. Para nós e para a nova geração, é um exemplo", sublinhou.

O que o extremo faz, na verdade, é separar duas coisas: o respeito enorme pela figura do capitão e a mecânica fria do jogo, em que o passe procura o melhor posicionado e não um nome. É pragmatismo, não desdém. Ainda assim, num momento em que o rendimento de Ronaldo, que falhou ocasiões na estreia, está debaixo de fogo, assumir publicamente que ninguém joga em função dele tem peso.

Não é caso único nesta fase final. Dias antes, João Neves gerara uma onda de revolta ao classificar Ronaldo como "mais um jogador para ajudar". Conceição segue linha parecida, embora com mais cuidado na forma. A mensagem do balneário parece clara: este Portugal quer jogar em equipa, não em função de um só. A resposta definitiva chega terça-feira, em Houston.

Na mesma conferência, o extremo recusou ainda entrar no terreno das especulações sobre o futuro do banco da Seleção. Confrontado com as notícias que apontam o pai, Sérgio Conceição, como possível futuro selecionador, Conceição cortou a direito: "Não tenho de comentar essas notícias, temos o máximo de respeito pelo míster que está aqui, estamos focados no Mundial e em fazer o melhor pelo nosso país. Não é respeitoso da minha parte comentar isso."

O último recorde que falta a Ronaldo pertence a Eusébio há 60 anos.