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Fofoca
29/05/26 às 13:46

Gyökeres e a história do avô que fugiu da Hungria: a ligação especial à final da Champions em Budapeste

Em 1956, Istvan Gyökeres fugiu da Hungria a meio da noite com uma carta de despedida e um nome de código. Estabeleceu-se na Suécia, teve um filho, Stefan, que teve Viktor. Amanhã, 70 anos depois, o neto joga a final da Champions exactamente em Budapeste. Uma história de coragem que atravessa gerações.

Em 1956, Istvan Gyökeres tinha 18 anos e uma decisão para tomar. Numa noite de outono, abandonou a sua aldeia de Turje, na Hungria, em segredo. Deixou apenas uma carta de despedida para os pais, escrita a lápis, com um pedido e um nome de código: "Cavaleiro Negro". Era o sinal que usaria na Rádio Europa Livre para avisar a família que estava vivo e em segurança, sem ser detectado pelas autoridades.

Setenta anos depois, o neto Viktor joga amanhã a final da Champions League em Budapeste.

A fuga de Istvan aconteceu durante a Revolução Húngara de 1956, um levantamento nacional contra o domínio soviético violentamente reprimido. Cerca de 200 mil pessoas fugiram do país. Istvan foi uma delas, atravessou a fronteira com a Áustria e seguiu para a Suécia, que tinha aberto as portas aos refugiados húngaros. Estabeleceu-se lá, conheceu Kicki, teve quatro filhos, entre eles Stefan, o pai de Viktor.

A decisão foi arriscada. Eszter Gergye,, prima em segundo grau de Viktor, que descobriu a carta original décadas mais tarde, não tem dúvidas: "Era arriscado e ele sabia disso. Ele podia ter sido morto, podia ter sido baleado. Podia ter sido preso." Mas Istvan tinha o espírito que os seus descendentes herdariam. "O que o diferenciava era o seu espírito aventureiro. Ele ousou e era muito teimoso. Se queria algo, fazia-o", recorda Gergye em declarações ao Telegraph Sport.

Sem essa decisão, Viktor Gyökeres não existiria. Nem o goleador implacável que esta época marcou 41 golos em todas as competições pelo Arsenal, foi campeão da Premier League e conduz os gunners à primeira final da Champions da história do clube. Curiosamente, Viktor podia ter representado a Hungria em vez da Suécia — tinha dupla cidadania. Escolheu a Suécia, o país onde o avô construiu a vida. O apelido Gyökeres significa "enraizado" em húngaro.

A ligação à Hungria não passou despercebida ao próprio. Após a vitória sobre o Atlético de Madrid nas meias-finais, Gyökeres publicou nas redes sociais três palavras: "De volta às raízes." Uma publicação simples. Com um peso enorme.

Istvan faleceu em 2015, precisamente quando o neto dava os primeiros passos no futebol profissional sueco. A relação entre os dois não era próxima, mas Viktor ainda se lembra de o avô o ter visto jogar em criança. Gergye recorda as semelhanças de família: "Ele é muito parecido com o pai. É um Gyökeres típico. Assemelha-se muito à parte húngara da família."

Amanhã, às 17h00, no Puskás Aréna de Budapeste, Viktor Gyökeres vai disputar o jogo mais importante da sua vida. No mesmo país de onde o avô fugiu 70 anos atrás. A história que Istvan começou numa noite de 1956, com uma carta a lápis e um nome de código, pode terminar amanhã com um troféu.

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