O caso Saco Azul chegou ao fim. Dez anos depois de ter começado, o processo judicial está oficialmente arquivado.
O Ministério Público prescindiu de recorrer da absolvição do Benfica e de Luís Filipe Vieira no caso Saco Azul. O prazo expirou sem recurso e o processo está oficialmente arquivado após 10 anos. O juiz deixou uma nota: a decisão podia ter sido diferente se a investigação tivesse sido bem conduzida.
O caso Saco Azul chegou ao fim. Dez anos depois de ter começado, o processo judicial está oficialmente arquivado.
O Ministério Público prescindiu de recorrer da absolvição do Benfica e do ex-presidente Luís Filipe Vieira, confirmou à Lusa fonte ligada ao processo. "O prazo para o recurso expirou e o MP não recorreu do acórdão que absolveu a Benfica SAD, a Benfica Estádio, Luís Filipe Vieira, Domingos Soares de Oliveira e Miguel Moreira no caso Saco Azul", explicou a mesma fonte.
Em julgamento esteve um alegado esquema em que os arguidos, entre 2015 e 2018, com recurso a contratos fictícios de consultadoria informática, teriam retirado do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, que voltaria a entrar no clube, pelo menos em grande parte, sob a forma de numerário. A 23 de abril, o Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu todos os arguidos do processo, incluindo o proprietário da Questãoflexível, José Bernardes, e mais dois arguidos, José Raposo e Paulo Silva.
O juiz Vítor Teixeira de Sousa deixou, no entanto, uma nota que o Ministério Público não vai apreciar: a decisão podia ter sido diferente se a investigação tivesse sido bem conduzida. "Somente com uma perícia técnica forense, realizada no início do inquérito, é que conseguíamos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema, a que horas", afirmou. O tribunal apontou o dedo à forma como o MP conduziu a investigação — e não à inocência dos arguidos.
Para Rui Costa, presidente do Benfica, a decisão do MP de não recorrer fecha um capítulo doloroso. "Não se pode apagar tudo aquilo em que o Benfica foi prejudicado nestes 10 anos. Foi ilibado mais uma vez o nome do Benfica. Não tenho a menor dúvida sobre o quanto foi prejudicial em termos desportivos e de imagem. Prejudicou e de que maneira o Benfica", afirmou o presidente encarnado em abril, na sequência da absolvição.
Dez anos. Um processo. Uma absolvição. E uma nota do juiz que ficará na memória.
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