adeptos-logo
Internacional
23/04/26 às 14:58

O governo italiano recusou a proposta de Trump com uma palavra: "Vergonhoso." A Itália não vai ao Mundial pela porta das traseiras

Os ministros italianos do Desporto e da Economia rejeitaram categoricamente a ideia de substituir o Irão no Mundial. "A qualificação decide-se em campo", disse Abodi. Giorgetti foi mais longe: "Ficaria envergonhado." A FIFA confirmou que não retira o Irão.

A proposta durou menos de 24 horas. E morreu com uma palavra do próprio governo italiano: vergonhoso.

Horas depois de o Financial Times revelar que Paolo Zampolli, enviado especial de Donald Trump, tinha sugerido ao presidente americano e a Gianni Infantino que a Itália substituísse o Irão no Mundial 2026, os ministros italianos do Desporto e da Economia fecharam a porta com firmeza — e sem diplomacia.

"Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não é oportuno. Não sei o que vem primeiro, mas a qualificação decide-se em campo", declarou Andrea Abodi, ministro do Desporto, em declarações ao jornal Il Giornale. A posição foi imediatamente reforçada pelo colega de governo Giancarlo Giorgetti, ministro da Economia, à margem de um evento no Palácio do Quirinal em Roma: "Considero isso uma coisa vergonhosa. Eu ficaria envergonhado."

Dificilmente poderia ser mais claro. O governo de Giorgia Meloni não quer o Mundial por favor de ninguém — e muito menos por favor de Donald Trump, com quem a relação está longe de ser tranquila.

A FIFA tratou de fechar o assunto pelo lado regulamentar: a BBC Sport confirmou esta quinta-feira que o organismo não tem qualquer intenção de retirar o Irão do torneio. A federação iraniana já garantiu por sua vez que o país está "totalmente preparado" para participar — o Irão integra o Grupo G juntamente com Nova Zelândia, Egito e Bélgica.

O contexto político que gerou esta proposta bizarra é revelador. Segundo fontes citadas pelo Financial Times, Trump terá apoiado a ideia como forma de reparar a relação com Meloni, que se deteriorou publicamente após a troca de palavras entre o presidente americano e o Papa Leão XIV sobre a guerra no Médio Oriente. Trump acusou o Papa de "gostar de criminalidade" e de apoiar armas nucleares — afirmações que o próprio Pontífice rejeitou com serenidade, reafirmando o seu compromisso com a paz. Meloni defendeu o Papa sem hesitar: "Considero inaceitáveis as declarações do Presidente Trump a propósito do Santo Padre." Trump ficou "chocado" com a resposta da aliada: "Pensei que ela tinha coragem, enganei-me."

Colocar a Itália no Mundial seria, na lógica trumpiana, um gesto de reconciliação. Para Roma, seria uma humilhação. A squadra azzurra falhou a qualificação pela terceira vez consecutiva — uma das maiores vergonhas da história do futebol italiano — e entrar no torneio pela porta das traseiras seria exactamente o tipo de coisa que os próprios italianos recusam.

Zampolli confirmou a proposta ao Financial Times com entusiasmo: "Seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, têm o historial que justifica a inclusão." O governo italiano respondeu com o equivalente diplomático de um portão fechado na cara.

O Mundial começa a 11 de Junho. A Itália vê em casa — como nas últimas três edições.

Jaime Faria fez história em Madrid e saiu de cabeça erguida — o oitavo português a jogar um quadro principal de Masters 1000