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Internacional
23/04/26 às 11:17

Enviado de Trump pediu à FIFA para meter a Itália no Mundial em vez do Irão — e há uma razão política por detrás disso

Paolo Zampolli, enviado especial de Trump, confirmou que sugeriu ao presidente e a Infantino que a Itália substitua o Irão no Mundial. A proposta surge num contexto de tensão diplomática entre Trump e Meloni após os ataques ao Papa Leão XIV. O Irão ainda não confirmou presença.

O Campeonato do Mundo de 2026 ainda não começou e já tem uma polémica digna de um enredo político de Hollywood.

Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos para parcerias globais e homem próximo de Donald Trump, confirmou esta quarta-feira ao Financial Times que sugeriu ao presidente americano e a Gianni Infantino, presidente da FIFA, que a Itália substitua o Irão na fase final do Mundial — que arranca a 11 de Junho nos Estados Unidos, México e Canadá.

A justificação oficial de Zampolli é afectiva e desportiva: "Tenho ascendência italiana e seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos mundiais, eles têm o historial que justifica a inclusão." A comunidade italiana nos Estados Unidos é das maiores e mais influentes do país — argumento que Zampolli usou para dar peso à proposta.

Mas o Financial Times foi mais fundo. Segundo fontes próximas do assunto citadas pelo jornal, há uma razão política por detrás desta iniciativa: a relação entre Trump e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni deteriorou-se nas últimas semanas após os ataques públicos do presidente americano ao Papa Leão XIV a propósito do conflito no Irão. Colocar a Itália no Mundial organizado pelos EUA seria uma forma de reparar a relação com Roma — um gesto diplomático embrulhado em papel de futebol.

Do lado italiano, a proposta chega como um bálsamo amargo. A Itália falhou a qualificação para o Mundial pela terceira vez consecutiva, depois de uma eliminação dolorosa nos penáltis frente à Bósnia e Herzegovina na final do play-off europeu em Março — derrota por 4-1 nas grandes penalidades após empate no tempo regulamentar. Três mundiais consecutivos sem os azzurri: um recorde vergonhoso para uma nação que ganhou o torneio quatro vezes.

Do lado iraniano, a situação é de incerteza real. O Irão condicionou em Abril a sua participação a uma resposta da FIFA sobre a possibilidade de jogar os seus jogos no México em vez dos Estados Unidos — pedido recusado pela federação. Esta quarta-feira, a federação iraniana emitiu um comunicado a afirmar que a equipa está preparada e planeia participar — mas a confirmação definitiva não chegou.

A FIFA, entretanto, não comentou a proposta de Zampolli. E as regras do futebol, ao contrário das da diplomacia, são claras: não se substitui um país qualificado por outro que não se qualificou. Mas quando o enviado especial do presidente dos Estados Unidos — país anfitrião do torneio — faz uma sugestão directamente ao presidente da FIFA, as regras tornam-se de repente um pouco mais maleáveis do que deveriam ser.

O Mundial começa daqui a menos de dois meses. E já tem o seu primeiro escândalo antes de uma bola ser chutada.

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