Portugal joga a 17 de junho contra a República Democrática do Congo. O adversário chegou ao Mundial depois de uma preparação que não esquecerá tão cedo — entre acusações de ébola pela Espanha e de bruxaria pela Nigéria.
A RD Congo, adversário de Portugal no Grupo K do Mundial, chegou ao torneio entre polémicas. A Espanha cancelou-lhes um jogo particular por causa do ébola. A Nigéria acusou-os de bruxaria na qualificação. Regressam ao Mundial 52 anos depois, pela segunda vez na história.
Portugal joga a 17 de junho contra a República Democrática do Congo. O adversário chegou ao Mundial depois de uma preparação que não esquecerá tão cedo — entre acusações de ébola pela Espanha e de bruxaria pela Nigéria.
A história começou em Espanha. O jogo particular entre a RD Congo e o Chile, agendado para o dia 9 de junho em La Línea de la Concepción, Cádis, foi cancelado pelo presidente da câmara local, Juan Franco, por "prudência sanitária" relacionada com o surto de ébola no país africano. O problema é que os jogadores congoleses não estavam em África há semanas.
Patrick Muyaya, ministro da Comunicação da RD Congo, reagiu indignado numa conferência de imprensa na Organização Mundial da Saúde: "Nenhum dos nossos jogadores actua em Kinshasa ou na RD Congo. Todos estão há cerca de três semanas na Bélgica a preparar-se para o Mundial. Este tipo de decisão pode supor discriminação. Não é muito justo."
Hoje à tarde, já em Orleans, França — depois do cancelamento em Espanha — a RD Congo perdeu por 2-1 frente ao Chile. Osorio e Sepúlveda marcaram para os sul-americanos, Kayembe descontou. A primeira parte terminou 0-0, a segunda foi mais animada. Portugal jogou contra o mesmo Chile no sábado passado e venceu também por 2-1.
A solução foi encontrada rapidamente — a Federação Congolesa transferiu o jogo para França, onde o Chile aceitou deslocar-se. Problema resolvido, mas a polémica ficou.
Mais insólita foi a acusação que surgiu durante a qualificação. Depois de a RD Congo eliminar a Nigéria nos play-offs, o selecionador nigeriano tomou a palavra sem ter sido questionado e acusou os adversários de maraboutage — bruxaria: "Durante todos os penáltis, os jogadores do Congo estavam a fazer algum tipo de vudu."
A RD Congo regressa ao Mundial 52 anos depois. A única participação anterior foi em 1974, quando competia sob o nome de Zaire. Os EUA exigiram um período de isolamento de 21 dias antes de os jogadores entrarem no país — exigência cumprida com a concentração na Bélgica. A equipa já está em Houston.
Portugal joga a 17 de junho. O adversário chegou ao torneio entre acusações de ébola e de bruxaria. Se ganhar, dirão que foi vudu. Se perder, dirão que foi falta de preparação.