adeptos-logo
Internacional
02/04/26 às 14:28

Nova regra olímpica gera revolta: acusações graves colocam COI no centro da polémica

A decisão do Comité Olímpico Internacional de reintroduzir testes genéticos para Los Angeles 2028 está a provocar forte contestação, com acusações duras por parte de activistas.

A preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 está já envolta em polémica, depois de o Comité Olímpico Internacional (COI) anunciar a reintrodução de testes genéticos para a participação em provas femininas. A medida, que visa regular a elegibilidade das atletas, motivou uma reacção imediata e contundente da rede activista Transmutar.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o colectivo acusa o COI de ceder ao “fascismo” e de ignorar evidência científica, considerando que a decisão terá como consequência a exclusão de mulheres transgénero e de algumas atletas intersexo da competição olímpica.

Testes genéticos no centro da controvérsia

A nova política prevê a utilização do teste genético SRY, que identifica a presença de um gene associado ao desenvolvimento biológico masculino. Este tipo de exame já tinha sido utilizado entre 1968 e 1996, mas acabou por ser abandonado devido a dúvidas sobre a sua precisão.

Segundo o COI, a medida pretende garantir “justiça, segurança e integridade” nas competições femininas, sustentando que a presença deste gene constitui um indicador fiável de vantagens físicas em modalidades que exigem força e resistência.

No entanto, a Transmutar rejeita esta interpretação, classificando a medida como uma “simplificação da diversidade sexual” e apontando para a alegada falta de rigor científico.

Activistas contestam fundamentos científicos

De acordo com o colectivo, a participação de atletas transgénero no desporto de elite é extremamente reduzida — representando menos de 0,001% dos atletas olímpicos — e não constitui um problema competitivo real.

Os activistas defendem ainda que a própria investigação científica não sustenta a ideia de vantagem física significativa. Citam, inclusivamente, um estudo encomendado pelo próprio COI em 2024, que indicaria que mulheres transgénero podem apresentar desvantagens em parâmetros como força da parte inferior do corpo e função pulmonar.

Além disso, referem que não foram encontradas diferenças relevantes nos níveis de hemoglobina, um dos factores determinantes para o desempenho em provas de resistência.

Críticas duras e acusações políticas

A posição da Transmutar vai além da contestação científica e assume um tom fortemente político. No comunicado, o colectivo acusa o COI de alinhar com um “conservadorismo global” e de utilizar a questão das atletas trans como instrumento para restringir direitos.

“Isto não é sobre pessoas trans, somos apenas o fantasma criado com que conservadores vão retirar direitos a todas”, afirmam.

Os activistas defendem ainda que a medida poderá afectar todas as mulheres, incluindo as cisgénero, ao impor critérios considerados arbitrários e exames classificados como invasivos, que não têm equivalente no desporto masculino.

Casos concretos e impacto futuro

A polémica levanta preocupações concretas para várias atletas. Um dos exemplos apontados é o da sul-africana Caster Semenya, já anteriormente afectada por regulamentos relacionados com níveis hormonais.

Mais recentemente, o caso da argelina Imane Khelif, campeã olímpica em Paris 2024 na categoria de -66 kg no boxe, voltou a colocar o tema na agenda, após questionamentos sobre o seu enquadramento biológico.

A nova regulamentação não terá efeitos retroactivos, mas poderá condicionar a participação de atletas intersexo que, apesar de características genitais femininas, apresentem o gene SRY.

A decisão do COI abre um novo capítulo num debate complexo e sensível, onde se cruzam ciência, ética, política e desporto. Com Los Angeles 2028 no horizonte, a discussão promete intensificar-se e continuar a dividir opiniões no universo olímpico.

Aviso sério de Ceferin deixa Itália em risco… e pode mudar o Euro 2032

Ir ao Mundial? Prepare a carteira: preços dos bilhetes atingem valores históricos