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Nacional
10/04/26 às 09:33

PORTO 1-1 FOREST: 18 REMATES, UM AUTOGOLO CARICATO E FARIOLI FURIOSO — "A ESTE NÍVEL, TENS DE MATAR QUANDO É O MOMENTO"

O Porto dominou, criou para ganhar por 3-0, mas Martim Fernandes fez um autogolo para os apanhados que deu empate ao Forest. Farioli sem papas na língua. Vítor Pereira saiu satisfeito — e ainda atirou ao VAR.

A noite de quinta-feira no Estádio do Dragão vai ficar na memória por duas razões opostas: a qualidade esmagadora do FC Porto durante 90 minutos e a crueldade de um autogolo que ninguém previu e que deu ao Nottingham Forest um resultado que não merecia.

O Porto entrou em campo como quem quer resolver a eliminatória na primeira noite. Logo aos 45 segundos, Terem Moffi teve a bola nos pés sozinho, com 20 metros de relvado até à baliza de Ortega — e rematou de longe, antes de entrar na área. Uma das oportunidades mais flagrantes desperdiçadas da noite, e sinal do que estaria por vir.

William Gomes acabaria por fazer o que Moffi não fez: ao minuto 11, num lance bem construído, encostou para o 1-0. O Dragão explodiu. O Porto dominava com autoridade, criava pelas duas alas, e o Forest — que chega a esta eliminatória em luta pela manutenção na Premier League e com Vítor Pereira a fazer nove alterações em relação ao último jogo — mal conseguia sair do seu meio-campo.

E então, ao minuto 13, aconteceu o impensável.

Martim Fernandes recebeu a bola perto do meio-campo, sem pressão adversária visível. Numa fracção de segundo, decidiu fazer um passe de costas para Diogo Costa. O problema foi que o guarda-redes estava adiantado, o passe foi forte e directo — e a bola entrou na baliza. Um autogolo que já corre o mundo nas redes sociais como candidato ao momento mais caricato da época europeia. O próprio Diogo Costa ficou de boca aberta. Os colegas rodearam Martim imediatamente — e o Dragão, num gesto raro e bonito, aplaudiu o jogador no mesmo instante em que sofreu o golo.

O que se seguiu foi a história de um Porto que dominou, criou e não concluiu. Dezoito remates à baliza — cinco ocasiões flagrantes na primeira parte, pelo menos três na segunda. Froholdt raspou o poste. Gomes rematou à malha lateral. Varela chegou atrasado a dois remates praticamente de frente para a baliza vazia. E Ortega, o guarda-redes do Forest, acabou por ser o jogador da noite em campo contrário.

Francesco Farioli não tentou esconder a frustração. Confrontado com uma equipa que criou para vencer por 3-0 e acabou com um empate a um, o italiano foi directo: "Hoje houve uma equipa que fez tudo para ganhar: nós. Criámos oportunidades, tivemos 18 remates à baliza. Tivemos situações suficientes para vencer com um resultado amplo. Mas faltou o instinto matador — e quando isso acontece, perdemos pontos. A este nível, quando chega o momento de matar, tens de matar."

Sobre o impacto do autogolo, Farioli reconheceu o efeito psicológico: "Em cinco ou seis minutos tivemos o autogolo e a lesão do Martim. Isso mexeu com a dinâmica da equipa. Naquele momento demos energia ao Nottingham Forest que não tinham. Perdemos uma boa oportunidade para ficar bem posicionados."

É também a primeira vez nesta temporada que o Porto regista dois jogos consecutivos sem vencer no Dragão — depois do empate com o Famalicão na jornada anterior.

Do outro lado, Vítor Pereira foi o retrato da satisfação contida. O treinador que durante oito anos trabalhou no Porto — cinco na formação, três na equipa principal, dois títulos nacionais — foi recebido com uma ovação genuína antes do jogo. Villas-Boas desceu ao relvado para o abraçar e disse-lhe: "Estás em casa." Uma imagem que o emocionou visivelmente.

Mas o futebol não tem espaço para saudades quando a eliminatória está em aberto. Vítor Pereira saiu satisfeito com um resultado que considera positivo — apesar de reconhecer que o Porto foi superior: "O FC Porto foi mais forte. Fiz nove alterações. Tivemos alguma felicidade em conceder só um golo. Levamos um bom resultado — a eliminatória está em aberto."

E não resistiu a uma farpa sobre o golo anulado a Igor Jesus por alegada mão: "Estou sem óculos, não vi mão nenhuma. Tenho muitas dúvidas que ao contrário teria sido decidido da mesma forma."

Ainda sobre o calendário inglês — e numa crítica velada à Premier League — Vítor Pereira foi claro: "Gostava muito de estar a salvo na Premier League. O jogo seria completamente diferente. Em Inglaterra não mudamos os jogos — não há hipótese de mudar para segunda-feira. Daqui a dois dias e meio temos o Aston Villa."

A segunda mão joga-se na próxima quinta-feira, dia 16, no City Ground em Nottingham. O Porto precisa de ganhar para passar sem necessidade de prolongamento.

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