Há noites em que os resultados ficam para as estatísticas e os gestos ficam para sempre. A noite de quarta-feira no Parque dos Príncipes foi uma dessas.
O PSG goleou o Liverpool 2-0 na Champions. Vitinha foi dos melhores em campo. Mas o gesto que ficou foi outro: esperou 20 minutos no relvado para trocar a camisola com um jovem adversário que tinha de fazer recuperação. O carácter de um português.
Há noites em que os resultados ficam para as estatísticas e os gestos ficam para sempre. A noite de quarta-feira no Parque dos Príncipes foi uma dessas.
O PSG venceu o Liverpool por 2-0 na primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões, com golos de Doué e Kvaratskhelia, e Vitinha foi uma das figuras da partida — como tem sido ao longo de toda esta temporada ao serviço do clube parisiense. Mas quando o árbitro apitou para o final e os jogadores começaram a dirigir-se para os balneários, o médio internacional português ficou no relvado. À espera.
Trey Nyoni, jovem médio do Liverpool que entrara no decorrer do jogo, tinha pedido a Vitinha para trocarem camisolas no final da partida. Um pedido que, para um jogador da sua idade e nas suas circunstâncias, representa muito mais do que uma peça de roupa — é um troféu pessoal, uma memória, a prova de que se esteve no mesmo relvado que um dos melhores do mundo. Vitinha disse que sim.
O problema foi que, após o apito final, Nyoni teve de cumprir uma sessão de trabalho de recuperação física com a equipa de preparadores dos reds — algo frequente nos jogos de alta intensidade, especialmente para os jogadores que entram a jogar já com o músculo frio. O jovem inglês atrasou-se. E Vitinha ficou à espera.
Vinte minutos. Sozinho no relvado do Parque dos Príncipes, enquanto os colegas iam para o balneário celebrar uma vitória importante. Sem impaciência visível. Sem gestos de irritação. Simplesmente à espera, como havia prometido.
Quando Nyoni terminou o trabalho e regressou ao relvado, Vitinha estava lá. Camisolas trocadas, promessa cumprida, missão concluída. O jovem inglês saiu com a camisola do português apertada nas mãos. Vitinha seguiu para o balneário com um sorriso.
O gesto não passou despercebido. As imagens e os relatos correram rapidamente nas redes sociais e na imprensa europeia, com vários comentadores a destacar o carácter do jogador português. Num futebol onde os gestos de humildade e consideração pelos mais jovens são cada vez mais raros — e onde a celebridade por vezes cria uma distância intransponível entre craques e estreantes — Vitinha lembrou que há valores que não se compram com dinheiro nem se aprendem em academias de futebol.
O PSG volta a defrontar o Liverpool na próxima terça-feira, às 20h00, em Anfield, na segunda mão dos quartos de final. Os reds têm de recuperar dois golos. Vitinha vai estar lá. E desta vez, Nyoni vai certamente ter a camisola guardada em casa para ver o jogo.