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Nacional
17/04/26 às 11:49

Porto eliminado, Braga nas meias: a noite europeia portuguesa que teve tudo

Porto e Braga jogaram ontem à noite na Liga Europa — resultados opostos. O Porto foi eliminado pelo Nottingham Forest após expulsão de Bednarek ao minuto 8. O Braga esteve a perder 2-0 em Sevilha e ganhou 4-2 numa remontada brutal. Uma noite de sentimentos opostos para o futebol português.

Foram dois jogos, dois países, dois destinos completamente opostos. Na mesma noite de quinta-feira, o futebol português viveu uma montanha-russa europeia que vai ficar na memória desta temporada.

Porto: o golo que nunca chegou

No City Ground de Nottingham, o FC Porto entrou melhor. Ao segundo minuto, Terem Moffi apareceu cara a cara com Ortega e desperdiçou. Era o sinal de que a noite podia ser diferente. Não foi.

Ao minuto 6, Jan Bednarek entrou de forma inexplicável sobre o joelho de Chris Wood com a sola da chuteira. O VAR chamou o árbitro ao ecrã, o árbitro foi ver e tirou o cartão vermelho directo. Menos de dez minutos jogados, Porto com dez. O melhor defesa da equipa nesta temporada, eliminado da eliminatória num único momento de irracionalidade.

Quatro minutos depois, Alberto Costa perdeu a bola no meio-campo, Gibbs-White acelerou, rematou de fora da área — e a bola, com desvio em Pablo Rosario, entrou. Porto a perder 1-0 com dez homens ao minuto 12. A montanha ficou ainda mais alta.

Farioli fez uma revolução ao intervalo — entrou Varela, Froholdt, Kiwior e Moura de uma vez. O Porto da segunda parte foi diferente: mais agressivo, mais intencional, com Kiwior a dar equilíbrio defensivo e o meio-campo a funcionar. Duas bolas nos ferros — William Gomes ao minuto 57 e Alan Varela ao 84 — lembraram que outra história era possível. Não entrou nenhuma.

No final, Farioli foi directo ao ponto: "Não perdemos o jogo aqui — perdemos as grandes oportunidades no Dragão. Com dez homens, os jogadores foram até ao limite. Duas bolas ao ferro, espírito incrível. Não estou feliz pela eliminação, mas estou orgulhoso de trabalhar com este grupo."

A frase que resume tudo: "Antes deste jogo, apenas duas equipas estavam em três competições em toda a Europa — nós e o Bayern Munique." O Porto saiu da Europa. Mas saiu com cabeça erguida.

Braga: a remontada que ninguém esperava

A 2.500 quilómetros de distância, em Sevilha, o Braga vivia um primeiro tempo de pesadelo. Antony abriu o marcador ao minuto 13 para o Betis, Abde fez o 2-0 ao 26. A eliminatória parecia encerrada — 3-1 no global para os andaluzes, Braga a precisar de três golos sem sofrer para passar.

Depois do intervalo, tudo mudou num espaço de quatro minutos que vai ficar gravado na história do clube. Carvalho reduziu ao minuto 49 com um cabeceamento após canto. Ao 53, uma imprudência de Amrabat deu penálti — Ricardo Horta foi à marca dos onze metros e fez o 2-2, empatando o global a 3-3. O Estádio La Cartuja, que segundos antes era uma festa andaluza, ficou em silêncio.

O Braga continuou a pressionar. Ao minuto 74, Jean-Baptiste Gorby recebeu no limite da área, acertou de primeira com qualidade e fez o 2-4 — global de 5-3, Braga nas meias-finais. Uma remontada de 2-0 para baixo em menos de trinta minutos de segundo tempo. Brutal.

O Braga vai enfrentar o Friburgo nas meias-finais da Liga Europa. Se passar, chega à final em Bilbao a 20 de maio — a segunda final europeia da história do clube, quarenta e dois anos depois. Em 2011, perdeu a final para o Porto.

Numa quinta-feira de futebol português na Europa, o Porto saiu. O Braga ficou. E foi a noite mais épica que podiam ter pedido.