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Nacional
20/02/26 às 13:54

Ex-Benfica e Real relativiza polémica: “Vinícius não é o coitadinho deste filme”

Tote, antigo jogador de Benfica e Real Madrid, comentou o caso entre Prestianni e Vinícius Júnior e considerou que há “demasiada confusão” em torno do episódio. O espanhol condena insultos, mas entende que fazem parte do futebol.

A polémica entre Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior continua a gerar reacções no espaço mediático internacional. Depois de várias vozes se terem pronunciado sobre o episódio ocorrido no Benfica-Real Madrid, foi agora a vez de Tote, antigo avançado que representou tanto o SL Benfica como o Real Madrid CF, partilhar a sua leitura dos acontecimentos.

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Em declarações à Radio Marca, o ex-jogador espanhol, actualmente com 47 anos, começou por relativizar o caso. “Não me parece que o Vinícius seja o coitadinho deste filme. Condeno os insultos, mas parece-me demasiada confusão para o que aconteceu”, afirmou.

Tote garantiu que não concorda com faltas de respeito, mas recordou que os insultos fazem parte da realidade competitiva do futebol há décadas. “Deduzo que algo se passou, mas isto é tão velho como o futebol. Todos nós já ouvimos barbaridades e depois nada acontece. Não concordo com faltas de respeito, mas acho piada à catalogação desses actos, qual vem na primeira página e qual surge apenas na oitava. Já nos insultaram a todos, envolvendo as nossas mães e as nossas filhas”, declarou.

Um dos momentos mais discutidos do incidente foi o gesto de Prestianni ao tapar a boca com a camisola enquanto se dirigia a Vinícius Júnior — atitude que lhe valeu fortes críticas públicas, incluindo a acusação de “cobarde” por parte de Thierry Henry. Tote, porém, sublinhou que também o internacional brasileiro recorre frequentemente a esse gesto em campo. “Ele também tapa a boca para dizer coisas. Imagino que não tenha dito ao Nicolás Otamendi que ele é um excelente defesa. Ele também fez gestos”, referiu.

O antigo avançado comentou ainda a possibilidade de jogadores abandonarem o relvado em caso de insultos. Para Tote, essa não deve ser a solução. “Não concordo. Há muita gente que percorre muitos quilómetros e que gasta muito dinheiro para ir ver um jogo. Não se pode sair do campo. É preciso jogar e mostrar o que valem, como ele fez com aquele golaço”, frisou, numa referência ao golo decisivo apontado por Vinícius na partida.

Por fim, Tote defendeu que um acto isolado não significa necessariamente que alguém seja racista, argumentando que, muitas vezes, determinadas provocações surgem com o objectivo de desestabilizar o adversário. “Isto não se consegue mudar. O futebol é paixão pura e às vezes são ditas coisas que não se sentem. Tive colegas de cor em quase todas as equipas por onde passei e é preciso ter maturidade. Muitas vezes o adversário faz isso apenas para tirar um atleta do jogo, não por racismo”, concluiu.

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Recorde-se que o caso continua sob análise da UEFA, com Benfica e Real Madrid a garantirem total colaboração na investigação aos alegados incidentes ocorridos na primeira mão do playoff da Liga dos Campeões.