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Nacional
04/02/26 às 09:29

O fim de um ciclo aproxima-se: Sporting já planeia um novo meio-campo sem Hjulmand

O mercado de inverno fechou sem sobressaltos em Alvalade, mas isso não significa que o Sporting esteja tranquilo em relação ao futuro.

Pelo contrário. A estrutura leonina já trabalha com a convicção de que o meio-campo actual dificilmente resistirá intacto à próxima janela de verão, com Morten Hjulmand a surgir como a baixa mais pesada — e praticamente inevitável — no final da temporada 2025/26.

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Apesar do esforço feito para manter o internacional dinamarquês em Janeiro, a direcção liderada por Frederico Varandas está consciente de que será impossível travar uma saída no verão. Hjulmand tem contrato até Junho de 2028 e uma cláusula de rescisão fixada nos 80 milhões de euros, mas o seu estatuto, rendimento e margem de valorização colocam-no no radar de vários clubes europeus de topo. Em Alvalade, o cenário já é tratado como uma certeza: o médio defensivo vai mesmo “mudar de ares”.

E não deverá ir sozinho. O dossiê do meio-campo leonino aponta para uma autêntica renovação em cadeia. Hidemasa Morita está em final de contrato e dificilmente continuará, depois de ter sido associado ao Ajax no último mercado. Já Giorgi Kochorashvili continua sem se afirmar, apesar de ter chegado do Levante por 5,5 milhões de euros, enquanto Rayan Lucas deverá regressar ao Flamengo no final do empréstimo.

Este conjunto de saídas potenciais obriga o Sporting a agir com antecedência, sobretudo numa zona do terreno que tem sido estrutural no modelo de jogo leonino. Se para a posição de médio interior (o chamado “8”) existe alguma margem de conforto, graças à afirmação progressiva de João Simões, o mesmo não se pode dizer da posição mais recuada do meio-campo. A vaga deixada por Hjulmand exigirá uma resposta clara no mercado.

Segundo informações avançadas, o perfil do futuro “6” já está definido e segue uma lógica bem conhecida em Alvalade. A ideia passa por contratar um médio com impacto imediato, forte no desarme, competente na primeira fase de construção e já com alguma experiência competitiva, mas ainda com espaço para crescer e valorizar. Um molde muito semelhante ao que levou o Sporting a contratar Hjulmand ao Lecce, em 2023, por cerca de 19,5 milhões de euros, após a saída de Manuel Ugarte para o Paris Saint-Germain, num negócio de 60 milhões.

Esse equilíbrio entre rendimento desportivo e potencial retorno financeiro continua a ser central na estratégia leonina, sobretudo num contexto em que as vendas continuam a ser fundamentais para a sustentabilidade do projecto.

Curiosamente, Hjulmand esteve também no centro da maior agitação do fecho do mercado de inverno. O médio foi afastado da convocatória para o jogo frente ao Nacional, da 20.ª jornada da I Liga, numa decisão que gerou surpresa, mas que rapidamente ganhou contexto. Os empresários do jogador informaram o clube de que o Atlético de Madrid estaria a preparar uma proposta concreta, levando o Sporting a resguardar o atleta enquanto o cenário não ficava esclarecido.

A proposta acabou por nunca chegar e o episódio ficou resolvido sem consequências práticas. Rui Borges confirmou, entretanto, que Hjulmand está plenamente integrado e pronto para voltar às opções iniciais, podendo mesmo ser titular no jogo frente ao AVS, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal.

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Tudo indica, no entanto, que se trata apenas de uma questão de tempo. O Sporting prepara-se para uma verdadeira revolução no meio-campo e fá-lo com a consciência de que perder Hjulmand será um duro golpe — mas também com a convicção de que, tal como no passado recente, o clube saberá antecipar o futuro antes que ele bata à porta.