Portugal estreia-se no Mundial a 17 de junho, frente à República Democrática do Congo, em Houston. Mas há uma possibilidade real de que o adversário não apareça — e o Congo diz que não vai mudar nada.
A República Democrática do Congo, primeiro adversário de Portugal no Mundial, tem de cumprir 21 dias de isolamento sanitário para poder entrar nos EUA. A Casa Branca foi clara: se a bolha for quebrada, a equipa corre o risco de não disputar o torneio. O prazo começou esta sexta-feira.
Portugal estreia-se no Mundial a 17 de junho, frente à República Democrática do Congo, em Houston. Mas há uma possibilidade real de que o adversário não apareça — e o Congo diz que não vai mudar nada.
A Casa Branca foi directa esta sexta-feira: a selecção congolesa tem de permanecer numa bolha sanitária de 21 dias para poder entrar nos Estados Unidos e participar no Mundial 2026. "Fomos muito claros com a República Democrática do Congo: têm de manter a integridade da sua bolha durante 21 dias antes de poderem chegar a Houston, em 11 de junho", afirmou Andrew Giuliani, director executivo da força-tarefa da Casa Branca para o Mundial, em declarações à ESPN. O prazo para iniciar o isolamento era esta sexta-feira.
A razão é o surto de Ébola que afecta actualmente o país africano. A Organização Mundial da Saúde reportou esta sexta-feira 82 casos confirmados e 7 mortes confirmadas pelo vírus, além de quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. A OMS já declarou a situação como emergência de saúde pública de âmbito internacional — um nível de alerta reservado para as crises sanitárias mais graves.
A mensagem da Casa Branca é inequívoca: se um elemento da comitiva quebrar a bolha ou apresentar sintomas, toda a delegação corre o risco de ser impedida de entrar nos EUA. "Também deixámos muito claro para o governo da RD Congo que têm de manter essa bolha, ou correm o risco de não poderem viajar para os Estados Unidos", acrescentou Giuliani num comunicado enviado à agência AFP.
A resposta do Congo, contudo, surpreendeu. Apesar do aviso formal dos EUA, um responsável da federação congolesa confirmou este sábado que a selecção não tem planos de alterar os seus preparativos para o Mundial. A equipa continua em estágio na Bélgica — em Liège — onde tem um jogo de preparação agendado com a Dinamarca para 3 de junho, no Estádio de Sclessin, casa do Standard Liège.
Para Portugal, a situação é acompanhada com atenção. A estreia a 17 de junho em Houston estava planeada como a partida mais acessível dos três jogos da fase de grupos. Se o Congo não cumprir as condições impostas pelos EUA e for impedido de participar, o regulamento da FIFA define que os pontos seriam atribuídos por 3-0 a cada adversário. Uma vantagem que ninguém em Portugal quer ganhar desta forma.