Pedro Gonçalves pediu desculpa. Mas as palavras com que o fez causaram um problema maior do que aquele que tentaram resolver.
Pedro Gonçalves pediu desculpa aos adeptos do Sporting e admitiu que, após regressar da paragem de março, jogou sempre com medo de se lesionar. "O meu corpo queria, mas a minha cabeça andava sempre com um travão de mão." A SAD leonina não gostou, as palavras colocam em causa o treinador e os clínicos.
Pedro Gonçalves pediu desculpa. Mas as palavras com que o fez causaram um problema maior do que aquele que tentaram resolver.
Em publicação nas redes sociais, o médio do Sporting lamentou o desfecho da temporada, seis finais perdidas de leão ao peito e assumiu que não esteve ao nível exigido pelo clube. Até aqui, nada de extraordinário. O problema está nesta frase: "Mentalmente, desde que vim da paragem de março, não estive no meu melhor. O meu corpo queria, mas a minha cabeça andava sempre com um travão de mão com medo de me lesionar."
A SAD do Sporting leu as declarações e não gostou. A razão é simples: ao admitir que jogou sem condições psicológicas plenas, Pote coloca implicitamente em causa duas coisas. Primeira, as decisões de Rui Borges — que continuou a titularizá-lo mesmo assim. Segunda, o trabalho dos clínicos do clube — que, presumivelmente, deveriam ter identificado e tratado o problema antes de o deixar competir.
Numa semana em que o Sporting já estava a digerir a derrota histórica na final da Taça com o Torreense, e em que Varandas tinha acabado de criticar publicamente a atitude dos jogadores, as palavras de Pote chegaram na pior altura possível.
O futuro do médio está em aberto. Pote ficou de fora dos convocados de Roberto Martínez para o Mundial, uma exclusão que continua por explicar, e tem várias propostas em carteira. O Al Nassr, de Cristiano Ronaldo e João Félix, é uma das hipóteses. O contrato com o Sporting vai até 2030, com cláusula de rescisão de 80 milhões de euros.
Pote quis pedir desculpa. Acabou por criar mais um problema.