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Internacional
16/06/26 às 12:56

Ex-FC Porto e capitão do Irão, Taremi desabafa: a seleção foi obrigada a abandonar os EUA minutos após o apito

A seleção do Irão estreou-se no Mundial 2026 com um empate frente à Nova Zelândia, mas mal teve tempo de respirar. Por imposição dos Estados Unidos, foi obrigada a abandonar o país e regressar ao México minutos após o apito final. O capitão Mehdi Taremi, ex-FC Porto, falou em desastre e pediu ajuda à FIFA.

Há uma cara conhecida no centro da maior polémica destes primeiros dias de Mundial, e é uma cara que os adeptos portugueses conhecem bem. Mehdi Taremi, antigo avançado do FC Porto e do Rio Ave, é o capitão do Irão e foi a voz da revolta depois de uma estreia que, dentro de campo, até correu bem.

O Irão empatou 2-2 com a Nova Zelândia, na madrugada de terça-feira, no SoFi Stadium, em Inglewood, na Califórnia, em jogo do Grupo G. Mas a equipa mal teve tempo de saborear o ponto. Por imposição das autoridades dos Estados Unidos, os iranianos foram obrigados a deixar o país e a regressar à base, montada em Tijuana, no México, poucos minutos após o apito final. O visto da seleção só autoriza a entrada em dias de jogo, sem direito a passar lá a noite.

O selecionador, Amir Ghalenoei, não escondeu a indignação. Contou que lhes ordenaram a saída imediata, que vários jogadores tiveram cãibras por falta de recuperação e classificou o Irão como a equipa mais oprimida do Mundial. Taremi, titular mas sem brilho diante dos neozelandeses, foi na mesma direção, resumindo a situação a uma palavra, desastre, e apelando a mais apoio da FIFA.

Os números da odisseia falam por si. Já à entrada, vários membros da comitiva tinham visto os vistos recusados, incluindo o presidente da federação iraniana. À saída, o cenário repetiu-se: dois jogadores, um deles o próprio Taremi, foram retidos no controlo fronteiriço, e o visto de um terceiro, Mehdi Torabi, expirou por só permitir uma entrada. Pelo meio, horas perdidas em viagens e fiscalizações entre Tijuana e Los Angeles.

Por trás de tudo está a guerra que opõe os Estados Unidos e Israel ao Irão desde fevereiro, e a ordem executiva de Donald Trump que restringe a entrada de cidadãos de vários países, incluindo o iraniano. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, foi ao balneário do Irão no final do jogo demonstrar solidariedade, mas a sensação de injustiça é total. E ainda faltam dois jogos, contra a Bélgica e o Egito, para uma seleção que terá de se preparar entre aviões e alfândegas.

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