O Benfica não controlou a saída de Mourinho. Mas pode lucrar com ela da mesma forma.
A cláusula que permite a Mourinho sair do Benfica por 7 milhões de euros expira amanhã, terça-feira. Se o Real Madrid anunciar o treinador depois desse prazo — o que é provável dado o impasse eleitoral —, o valor sobe para 15 milhões. O Benfica pode lucrar com a demora que não controlou.
O Benfica não controlou a saída de Mourinho. Mas pode lucrar com ela da mesma forma.
A cláusula que permite ao Special One rescindir o contrato com o Benfica pelo valor de 7 milhões de euros expira amanhã, terça-feira 26 de maio — dez dias após o último jogo da época, a visita ao Estoril a 16 de maio. Se essa cláusula não for accionada dentro do prazo, o valor que o Real Madrid terá de pagar para contratar Mourinho sobe para 15 milhões de euros, sabe o Record.
O problema é que o prazo vai muito provavelmente expirar. Com a candidatura de Enrique Riquelme à presidência do Real Madrid confirmada e as eleições marcadas para 7 de junho, Florentino Pérez optou por não anunciar Mourinho durante a campanha eleitoral. Uma decisão política que tem um custo financeiro concreto: o dobro do que pagaria se o processo tivesse corrido como planeado.
Para o Benfica, a ironia é evidente. A estrutura liderada por Rui Costa não quis ver Mourinho sair — chegou a apresentar uma proposta de renovação até 2029. Não conseguiu segurá-lo. Mas o impasse gerado pelas eleições madrilenas acabou por transformar uma derrota comunicacional numa vantagem financeira inesperada: em vez dos 7 milhões previstos, as águias podem encaixar 15 milhões pela saída do Special One.
Mourinho esteve esta manhã no Benfica Campus durante cerca de duas horas, ao que tudo indica para comunicar pessoalmente a Rui Costa a sua decisão de rumar ao Real Madrid. Fabrizio Romano confirmou hoje que o acordo está fechado. Mas o comunicado oficial à CMVM — obrigatório quando há uma mudança de treinador numa SAD cotada em bolsa — ainda não chegou. E enquanto não chegar, o relógio continua a correr a favor do Benfica.
Do lado do Real Madrid, 15 milhões de euros não são um problema para um clube que está a ponderar gastar 200 milhões em Michael Olise. Mas são uma compensação diferente para o Benfica — e um argumento que Rui Costa pode usar para justificar perante os sócios encarnados o desfecho de uma novela que durou semanas.