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Diversos
08/06/26 às 15:17

Casillas foi a tribunal contar o dia em que quase morreu no Olival. "Tive medo. Tinha dificuldade em respirar."

Iker Casillas testemunhou esta segunda-feira no Palácio da Justiça do Porto. O ex-guarda-redes recordou o dia do enfarte no Olival em maio de 2019 e exige 3,7 milhões à seguradora Fidelidade e ao FC Porto por incapacidade para o trabalho. "Não consigo correr. Vou ao ginásio, jogo padel — e não dá para mais."

Era uma segunda-feira de maio de 2019. Iker Casillas deixou os filhos no colégio e foi para o Olival, como qualquer outro dia. Chegou pelas 9h30, tomou o pequeno-almoço e seguiu para o ginásio. Perto das 11h00, já no relvado, sentiu uma pressão no peito que nunca tinha sentido. Sete anos depois, foi a tribunal contar o que aconteceu a seguir.

"Depois de 30 minutos a exercitar, senti uma forte pressão no peito. Não consegui continuar a treinar e tive de me deitar", explicou Casillas à juíza no Palácio da Justiça do Porto, esta segunda-feira. O médico do clube, Nelson Puga, foi chamado e o guarda-redes foi transportado de urgência para a CUF do Porto. "Tive medo. Tinha dificuldade em respirar", recordou.

O enfarte agudo do miocárdio que sofreu naquele treino do FC Porto encerrou a sua carreira. Casillas tinha 37 anos. Nunca mais voltou a jogar. E desde outubro de 2021 trava uma batalha judicial contra a seguradora Fidelidade e o FC Porto, exigindo 3,7 milhões de euros por incapacidade para o trabalho.

Em tribunal, o antigo guarda-redes descreveu as sequelas que mantém até hoje: "Não posso correr. Consigo uns 20 ou 50 metros. Não dá para mais." Só passados sete meses após o enfarte é que começou a sentir algum controlo sobre a própria vida.

A posição de cada parte está bem definida. A seguradora Fidelidade transferiu 1,5 milhões de euros — o tecto máximo para acidentes de trabalho — e considera ter cumprido as suas obrigações. O FC Porto alega ter pago mais de um milhão de euros em salários durante o período em que Casillas ainda tinha contrato e estava fora de competição, e passa a responsabilidade restante para a seguradora. Casillas não abdica dos 3,7 milhões.

A favor do ex-guarda-redes pesa um relatório do Conselho Médico-Legal, órgão do Instituto Nacional de Medicina Legal, que considera que o esforço físico do treino foi "causa adequada" para o enfarte. Os cardiologistas indicados por Casillas e pelo tribunal também concordaram que é provável que o esforço físico tenha sido o motivo da rutura na artéria coronária. Apenas o médico indicado pela seguradora defendeu não ser possível assumir essa ligação directa.

Casillas tem hoje 45 anos. Joga padel, vai ao ginásio, e não consegue correr mais de 50 metros. O homem que ganhou dois Mundiais, três Champions e uma Liga europeia com Espanha e o Real Madrid terminou a carreira num treino de rotina no Olival — e quer que alguém pague por isso.

O Barcelona está a seguir Rodrigo Mora. O FC Porto tem uma resposta de 70 milhões.