A dor desta manhã é real. Mas há uma altura em que é preciso parar, respirar, e olhar para o que foi construído — porque o que foi construído esta época pelo Sporting de Braga merece ser visto com clareza, sem a névoa da eliminação de ontem à noite.
O Sporting de Braga termina a época 2025/26 com o melhor registo europeu da sua história: 61 jogos disputados, presença inédita nas meias-finais da Liga Europa e uma campanha que eliminou Celtic, Feyenoord, Nottingham Forest e Betis. A dor da eliminação não apaga o que foi construído esta época.
A dor desta manhã é real. Mas há uma altura em que é preciso parar, respirar, e olhar para o que foi construído — porque o que foi construído esta época pelo Sporting de Braga merece ser visto com clareza, sem a névoa da eliminação de ontem à noite.
Com 61 jogos disputados nesta temporada — ou 62 se o jogo de domingo com o Benfica for contabilizado — o Braga vai estabelecer um novo recorde nacional absoluto de jogos numa só época, ultrapassando o registo anterior que pertencia ao próprio clube. Para referência, o Arsenal, finalista da Champions, vai realizar 63 jogos esta temporada. O Braga ficou apenas a dois — com um plantel e um orçamento que não se comparam.
A campanha europeia foi extraordinária desde o primeiro momento. Desde as pré-eliminatórias em julho, quando poucos imaginavam que este percurso era possível, os arsenalistas foram eliminando adversários de crescente dificuldade: o Celtic fora, em Glasgow — resultado inédito para o futebol português —, o Feyenoord, o Nottingham Forest e o Betis, com a reviravolta épica de Sevilha — 0-2 para 4-2 — como o momento que ficará gravado na memória colectiva. Nas meias-finais, um golo de Dorgeles nos descontos da primeira mão em casa frente ao Friburgo deu ao Braga a maior vantagem que alguma vez teve numa eliminatória desta dimensão.
E depois veio ontem. A expulsão de Dorgeles ao sexto minuto mudou tudo — e não há forma de saber o que teria acontecido se o Braga tivesse jogado os 90 minutos com onze. As lesões, as ausências, a forma como Carlos Vicens foi gerindo um plantel que chegou ao limite — tudo isso faz parte de uma história que não terminou mal. Terminou antes do fim que merecia.
Esta equipa jogou 20 jogos europeus em 2025/26 — mais do que qualquer clube português na história das competições da UEFA. Fê-lo com uma coesão, uma crença e uma organização que foram a marca registada de Carlos Vicens ao longo de toda a época. Ricardo Horta liderou com a classe habitual até à lesão que o tirou das meias-finais. Dorgeles, Zalazar, Pau Víctor, João Moutinho aos 39 anos — cada um deu o seu contributo para algo que o futebol português não tinha visto assim.
Istambul ficou por cumprir. Mas o que o Braga construiu este ano não precisa de uma final para ser histórico. Já é.