Jean-Baptiste Gorby recebeu a bola a mais de 25 metros da baliza, olhou para a frente e rematou em arco. A bola entrou no ângulo. O Estádio da Luz ficou em silêncio. E o Sporting passou para segundo lugar.
O Benfica empatou 2-2 com o Sporting de Braga num jogo dramático no Estádio da Luz. Rafa abriu o marcador, Pau Víctor empatou de cabeça, Gorby fez um golaço de fora de área e sentenciou — até Pavlidis reduzir de penálti no último minuto. O Benfica cai para terceiro. O Sporting é segundo.
Jean-Baptiste Gorby recebeu a bola a mais de 25 metros da baliza, olhou para a frente e rematou em arco. A bola entrou no ângulo. O Estádio da Luz ficou em silêncio. E o Sporting passou para segundo lugar.
O Benfica foi mais dominador na primeira parte mas pouco criativo. Schjelderup foi o mais desequilibrador, com vários lances de perigo — esteve perto de marcar, tal como Rafa e Ivanovic. Do lado do Braga, muito desgaste após a eliminação europeia em Friburgo, mas uma equipa organizada a defender bem, com Gabri Martínez como o elemento mais atrevido. João Pinheiro foi alvo de contestação permanente das bancadas — uma das tónicas da primeira parte que se arrastou para a segunda.
A segunda parte foi outro jogo. Um bom jogo — e esse detalhe importa para perceber o que o resultado esconde.
Rafa Silva marcou ao primeiro minuto do segundo tempo — lance da direita de Prestianni, bola a morrer no coração da área e o extremo a chegar primeiro. Era o 99.º golo de Mourinho como treinador do Benfica — e o sinal de que as águias tinham acordado. O que se seguiu foi o Benfica mais intenso e mais perigoso da época recente: Schjelderup a desequilibrar em velocidade, Barreiro a chegar à área, as bancadas a puxar e a sensação crescente de que o segundo golo ia aparecer.
Apareceu — ou quase. O Benfica celebrou por Pavlidis aos 63 minutos, mas o VAR anulou: o passe de Schjelderup tinha sido feito com a bola fora de campo por centímetros. Um daqueles lances que partem o ritmo e a crença de uma equipa que estava em alta. António Silva esteve perto do golo de cabeça aos 84 minutos. Mourinho arriscou tudo com a entrada de Lukebakio. O Benfica pressionava, o Braga resistia.
E então aconteceu o que não estava nos planos de ninguém. Gorby, de longe, disparou em arco e fez um golaço que apagou o estádio aos 88 minutos. Um remate que exigiu perfeição — e foi perfeito. O Braga, sem grande domínio, sem criar chances em série, competente e bem organizado como sempre, beneficiou de um momento de génio individual num momento em que o Benfica estava a controlar. É futebol — e às vezes é cruel.
Do céu cairia um penálti a favor do Benfica nos descontos, assinalado pelo VAR após falta sobre Schjelderup. Pavlidis converteu para o 2-2 final. Tarde demais. O resultado final não reflecte fielmente o que se passou na segunda parte — num jogo equilibrado, as águias foram a equipa que mais quis e mais criou depois do intervalo. Um golo anulado por milímetros, um golaço imparável e a sorte a pesar do lado errado não são desculpa — mas são contexto.
O Benfica termina a jornada 33 em terceiro lugar com 77 pontos. Na última jornada, visita o Estoril fora de casa. O Sporting, segundo com 79, recebe o Moreirense em Alvalade. Para o Benfica chegar à Champions directa precisa de vencer no Estoril e torcer para que o Sporting tropece com o Moreirense. A tarefa é difícil — mas quem viu a segunda parte desta noite sabe que este Benfica ainda tem combustível.
Para o Braga, o empate garante matematicamente o quarto lugar e a presença nas eliminatórias da Liga Europa. E o golaço de Gorby ficará na memória dos adeptos minhotos como o ponto de honra de uma época histórica — mesmo que a sorte também tenha tido a sua palavra.