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Nacional
12/01/26 às 14:28

José Mourinho não dá folga ao plantel do Benfica

A eliminação do Benfica nas meias-finais da Taça da Liga, frente ao SC Braga, não trouxe qualquer pausa ao grupo de trabalho encarnado.

Pelo contrário. Logo após o desaire em Leiria, o plantel seguiu directamente para o Benfica Campus, onde pernoitou e iniciou de imediato a preparação para um ciclo de jogos particularmente exigente.

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Tanto José Mourinho como o presidente Rui Costa fizeram questão de esclarecer que a permanência no Seixal não teve qualquer carácter punitivo. Mesmo em caso de vitória sobre os bracarenses, esse já era o plano delineado. Ainda assim, a ausência total de folgas nos dias seguintes confirma uma abordagem clara do treinador: aproveitar ao máximo uma das raras semanas de trabalho contínuo desde que chegou à Luz.

Com a deslocação ao Estádio do Dragão marcada para quarta-feira, num duelo decisivo com o FC Porto a contar para os quartos de final da Taça de Portugal, Mourinho optou por manter o grupo focado, em actividade permanente, e sem dispersões. Três dias depois, o Benfica volta a jogar fora, desta vez no terreno do Rio Ave, antes de entrar em modo Liga dos Campeões, com viagem a Turim para defrontar a Juventus, no dia 21.

Este encadeamento de compromissos explica a decisão do treinador setubalense. Desde que assumiu o comando técnico do Benfica, a 18 de Setembro, Mourinho nunca teve uma semana tão “limpa” para trabalhar ideias, rotinas e processos com o plantel quase completo. As poucas janelas anteriores coincidiram com pausas para selecções — que levaram muitos titulares — ou com períodos marcados por lesões, limitando a capacidade de intervenção diária.

Mesmo agora, os problemas não desapareceram por completo. Persistem algumas limitações físicas e o castigo de Nicolás Otamendi obriga a ajustes no eixo defensivo. Ainda assim, Mourinho ganhou tempo para testar soluções, preparar o jogo a eliminar com o FC Porto e, sobretudo, tentar reerguer emocionalmente um balneário afectado pela eliminação frente ao Braga. Recorde-se que, no campeonato, os encarnados saíram do Dragão com um empate sem golos, em Outubro, mas agora o contexto é bem diferente: não há margem de erro.

Equipa A e B pressionam estrutura dos sub-23

A exigência no topo da pirâmide tem reflexos claros nos escalões intermédios. A segunda fase da Liga Revelação arranca esta terça-feira, com o Benfica a defrontar o Torreense, já na fase de campeão. A equipa orientada por Vítor Vinha entra nesta etapa condicionada por um verdadeiro efeito dominó.

As ausências no plantel principal levaram Mourinho a recorrer com frequência à equipa B, que por sua vez se reforça junto dos sub-23. Esta lógica interna, pensada para garantir continuidade competitiva e evolução dos atletas, coloca uma pressão acrescida sobre o grupo que funciona como elo de ligação entre os juniores e o futebol profissional.

O próprio Mourinho já reconheceu este impacto, admitindo que as necessidades da equipa A “desfalcam” inevitavelmente os bês, o que acaba por repercutir-se nos sub-23. Ainda assim, é precisamente este grupo que sustenta grande parte da estratégia formativa do clube.

O cenário ganha ainda mais importância se o Benfica falhar o apuramento para a próxima edição da Liga dos Campeões. Nesse caso, a presença na UEFA Youth League dependerá do título nacional de juniores, o que leva a estrutura a “pescar” nos sub-23 os jogadores mais preparados. Nas últimas semanas, casos como Edokpolor e José Neto tornaram-se recorrentes nos bês, enquanto jovens campeões do mundo de sub-17 — Mauro Furtado, Rafael Quintas, Tomás Soares e Anísio Cabral — foram chamados aos juniores para jogos de elevado grau competitivo.

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É neste contexto exigente, de pressão máxima em todos os escalões, que José Mourinho procura tirar partido de cada dia de trabalho disponível. Sem folgas, com o calendário a apertar e decisões em série no horizonte, o treinador aposta numa gestão rigorosa do tempo — convicto de que, nesta fase da época, cada sessão conta.