adeptos-logo
Internacional
24/01/26 às 11:15

Quando o génio vacila: há quem ache que o ciclo de Guardiola no City chegou ao fim

A contestação em torno de Pep Guardiola no Manchester City ganhou uma nova dimensão nas últimas horas, depois de uma intervenção particularmente dura de Adrian Durham, jornalista inglês da talkSPORT.

Na sequência de duas derrotas consecutivas — frente ao Manchester United (2-0) e ao Bodø/Glimt (3-1) — o comentador defendeu publicamente que “chegou a altura” de Guardiola ponderar a demissão.

Para Durham, o treinador espanhol atravessa um momento semelhante ao vivido por Arsène Wenger nos últimos anos no Arsenal: um longo reinado brilhante que, a certa altura, deixou de o ser. “Pep foi extraordinário, mas já não é. E quando isso acontece, o próprio treinador deve reconhecer que é responsável e dar ao clube a opção de o apoiar… ou de seguir outro caminho”, afirmou.

O jornalista sublinhou que pedir a demissão não significa, necessariamente, sair. É, acima de tudo, um gesto de responsabilidade e de liderança. E, para justificar a sua posição, Adrian Durham apresentou cinco razões concretas que, no seu entender, demonstram que Guardiola já não tem condições para continuar no cargo.

1. Maus resultados que vão além do azar
Segundo Durham, as derrotas frente ao United e ao Bodø/Glimt não podem ser explicadas por falta de sorte. Ao contrário de eliminações passadas em que o City criou inúmeras oportunidades, estas exibições foram, nas suas palavras, “puro mau futebol e má gestão”, com resultados que até poderiam ter sido mais pesados.

2. A gestão confusa da posição de médio-defensivo
A situação no meio-campo defensivo é outro ponto crítico. Com Rodri ainda longe da melhor forma após lesão e Nico González novamente indisponível, Durham questiona porque motivo Kalvin Phillips continua praticamente fora das opções, apesar do elevado salário e de já ter rendido sob outros treinadores.

3. Phil Foden irreconhecível
Para o comentador, Phil Foden é o espelho do momento do City: um talento extraordinário, mas “completa e profundamente perdido” em campo. Num jogo em que a equipa precisava de liderança e criatividade, o internacional inglês passou ao lado e acabou substituído, algo que levanta questões sobre o impacto do modelo actual de Guardiola.

4. A teimosia com laterais improvisados
A insistência em abdicar de laterais ortodoxos é vista como uma obsessão que saiu cara. Adrian Durham usou Rayan Aït-Nouri como exemplo de um jogador que parecia em clara ascensão, mas que, neste contexto táctico, perdeu influência e confiança.

5. Haaland mal servido
Por fim, a crítica mais sonora: Erling Haaland. Para Durham, é incompreensível que “a maior máquina de golos do futebol mundial” esteja a produzir tão pouco. “Qualquer pessoa conseguiria pôr Haaland a marcar golos. Guardiola não está a conseguir”, atirou, sem rodeios.

Guardiola está no Manchester City desde 2016 e tem contrato até 2027, mas este conjunto de críticas mostra que, mesmo para um dos treinadores mais influentes da história recente do futebol, o estatuto não garante imunidade. A discussão está lançada: trata-se apenas de uma fase menos boa… ou do princípio do fim de um ciclo histórico em Manchester?