A deslocação ao Estádio dos Arcos, em Vila do Conde, para defrontar o Rio Ave, este sábado, a partir das 20h30, surge como um verdadeiro teste de resistência para uma equipa ferida, mas ainda viva na luta pelos seus objectivos internos.
Depois de uma das semanas mais turbulentas da época, o Benfica regressa ao campeonato com uma missão clara: vencer, convencer e tentar reencontrar estabilidade emocional e competitiva.
A deslocação ao Estádio dos Arcos, em Vila do Conde, para defrontar o Rio Ave, este sábado, a partir das 20h30, surge como um verdadeiro teste de resistência para uma equipa ferida, mas ainda viva na luta pelos seus objectivos internos.
A eliminação da Taça da Liga, diante do Sporting de Braga (1-3), seguida da saída precoce da Taça de Portugal, após derrota no clássico com o FC Porto (1-0), deixou marcas evidentes no universo encarnado. De repente, à margem da Liga dos Campeões, a I Liga passou a ser a única competição doméstica em disputa, o que torna cada jornada num exercício de sobrevivência. À entrada para a segunda volta, o Benfica ocupa o terceiro lugar da classificação, a dez pontos do líder FC Porto e a seis do Sporting, ainda que os leões tenham mais um jogo realizado.
Este contexto faz com que a margem de erro seja praticamente inexistente. Qualquer deslize adicional poderá comprometer de forma séria as aspirações ao título, obrigando os encarnados a entrarem em campo com um sentido de urgência pouco habitual para esta fase da temporada. O problema é que o adversário não costuma ser simpático.
Nos últimos anos, o Rio Ave tem-se revelado um oponente particularmente incómodo para o Benfica. Desde 2024, as duas equipas defrontaram-se por quatro vezes, com duas vitórias encarnadas (5-0 e 2-3) e dois empates, ambos a uma bola. A memória mais recente é especialmente dolorosa para os adeptos da Luz: na jornada inaugural do actual campeonato, os vila-condenses foram à Luz arrancar um empate tardio, graças a um golo de André Luiz, avançado que, curiosamente, está agora no radar da direcção liderada por Rui Costa como possível reforço para o ataque.
Do lado do Rio Ave, o momento também não é particularmente tranquilo. A equipa orientada pelo treinador grego Sotiris Sylaidopoulos soma apenas uma vitória nos últimos quatro encontros — o mais recente frente ao Casa Pia (3-1) — e continua a olhar com atenção para a zona de despromoção. A necessidade de pontuar é evidente e o factor casa poderá ser determinante para equilibrar forças frente a um adversário teoricamente superior.
Em conferência de antevisão, Sylaidopoulos afastou a ideia de que o Benfica chegue fragilizado do ponto de vista psicológico. “Em clubes grandes, com este tipo de jogadores e de treinadores, eles sabem como gerir a situação e transformar essa energia em motivação”, afirmou, garantindo que a sua equipa terá de ser “corajosa, focada e emocionalmente equilibrada” durante os 90 minutos. O técnico destacou ainda o bom momento de André Luiz, mostrando-se confiante numa nova boa exibição do avançado.
Já José Mourinho, treinador do Benfica, procurou transformar a frustração recente em discurso mobilizador. “A moral é alta pela confiança que retirámos de um jogo muito bem conseguido, com excepção do resultado”, referiu, sublinhando a exigência do calendário e a necessidade de manter o foco no campeonato. Sobre o adversário, deixou elogios claros: “O Rio Ave é uma equipa difícil, física, experiente, que normalmente defende com um bloco baixo e sai com perigo no contra-ataque.”
No capítulo das ausências, o Benfica continua a lidar com várias limitações, entre elas a de Richard Ríos, que Mourinho confirmou estar fora não só deste jogo, mas também dos compromissos mais imediatos frente a Juventus e Estrela da Amadora. Do lado do Rio Ave, Bakoulas e Omar Richards são baixas confirmadas.
O encontro terá arbitragem de Cláudio Pereira, da Associação de Futebol de Aveiro, auxiliado por Tiago Costa e João Bessa Silva, com Fábio Melo como quarto árbitro e Pedro Ferreira no VAR.
Num palco onde o Benfica já tropeçou recentemente, a visita aos Arcos assume contornos decisivos. Para os encarnados, não se trata apenas de somar três pontos, mas de provar que ainda há fôlego, crença e capacidade de resposta numa época que ameaça fugir do controlo.