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Diversos
28/01/26 às 14:31

Marcelo recorda Fernando Mamede como uma referência incontornável do desporto português

A morte de Fernando Mamede continua a merecer reações sentidas em várias esferas da sociedade portuguesa.

Esta terça-feira, foi a vez do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, prestar homenagem ao antigo atleta, classificando-o como uma “figura marcante e incontornável do atletismo e do desporto nacional”. Fernando Mamede faleceu aos 74 anos, deixando um legado ímpar numa das gerações mais brilhantes do atletismo português.

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O Chefe de Estado fez ainda questão de recordar o reconhecimento institucional concedido ao atleta em vida. Em 1989, Fernando Mamede foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, distinção atribuída em reconhecimento por uma carreira excecional e por serviços relevantes prestados ao país através do desporto. Um gesto que, à luz dos acontecimentos, ganha agora um significado ainda mais simbólico.

Na mesma nota, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou “as suas sentidas condolências” à família de Fernando Mamede, aos amigos, ao Sporting CP e à Federação Portuguesa de Atletismo, entidades com as quais o atleta manteve uma ligação profunda ao longo de toda a sua vida desportiva.

Fernando Mamede foi um dos maiores nomes da história do atletismo português. Natural de Beja, representou sempre o Sporting, clube ao qual chegou em 1968 pela mão do lendário Mário Moniz Pereira. Ao longo da carreira, bateu 27 recordes nacionais, três europeus e um mundial, o histórico recorde dos 10.000 metros.

Essa marca maior foi alcançada a 2 de julho de 1984, em Estocolmo, quando Mamede correu a distância em 27.13,81 minutos, tempo que permaneceu como recorde mundial durante cinco anos. O máximo viria a ser superado apenas em 1989 pelo mexicano Arturo Barrios, em Berlim. Ainda assim, mais de quatro décadas depois, Fernando Mamede continua a ser o último atleta europeu a deter o recorde mundial dos 10.000 metros.

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Presença assídua em grandes palcos internacionais, Mamede participou em três edições dos Jogos Olímpicos — Munique’1972, Montreal’1976 e Los Angeles’1984 — e conquistou ainda a medalha de bronze no Campeonato do Mundo de corta-mato de 1981, em Madrid. Um percurso que ajuda a explicar porque o seu nome permanece, hoje, como uma referência incontornável do desporto português.