No balanço final, o antigo árbitro considera que o trabalho foi globalmente positivo, mas deixa uma nota importante: ficou um penálti por assinalar a favor do Athletic Bilbao na segunda parte.
O duelo entre o Athletic Bilbao e o Sporting, a contar para a UEFA Champions League, ficou marcado por intensidade, emoção e várias decisões de arbitragem analisadas ao detalhe por Pedro Henriques.
No balanço final, o antigo árbitro considera que o trabalho foi globalmente positivo, mas deixa uma nota importante: ficou um penálti por assinalar a favor do Athletic Bilbao na segunda parte.
Desde cedo, o encontro exigiu critério e rigor. Logo aos 29 minutos, o golo de Guruzeta foi bem validado. Na recuperação de bola sobre Matheus Reis existiu apenas um contacto ligeiro e sem impacto faltoso, decisão confirmada pelo VAR. O protesto do defesa leonino acabou por lhe valer um cartão amarelo, bem mostrado. Pouco depois, aos 35’, Unai Gómez viu também o amarelo após uma entrada negligente, de sola, sobre Geny Catamo — decisão disciplinar correcta e enquadrada nas regras.
Ainda na primeira parte, destaque para um lance importante: Diomande pediu penálti, mas a infração existente ocorreu fora da área. Andoni Gorosabel agarrou e puxou o central leonino, derrubando-o, mas por ser fora da grande área o VAR não podia intervir. Uma decisão tecnicamente correcta, ainda que tenha passado despercebida a muitos adeptos.
A segunda parte trouxe mais lances de análise fina. Aos 62’, o segundo golo do Sporting foi legal: Francisco Trincão encontrava-se em posição regular no momento do passe de Pedro Gonçalves, validado pelo posicionamento de Adama Boiro. Já aos 67’, surgiu o lance mais polémico do encontro. Hjulmand, com o braço esquerdo, empurrou Berenguer na área leonina. Para Pedro Henriques, apesar de não ser um lance “claro e óbvio”, ficou a forte sensação de que o contacto teve intensidade suficiente para ser sancionado com penálti. Uma decisão que acabou por não ser tomada e que deixa dúvidas legítimas.
O VAR voltou a ter papel decisivo aos 79 minutos, quando o árbitro assinalou penálti a favor do Sporting por alegada falta de Adama Boiro sobre Geny Catamo. As imagens mostraram claramente que o defesa tocou primeiro na bola, desviando-a para canto, e o castigo máximo foi bem revertido. Outro momento relevante ocorreu aos 72’, no golo anulado a Luis Suárez por fora de jogo milimétrico, confirmado pela tecnologia semi-automática, que reduz a margem de erro humano.
No capítulo disciplinar, apesar do elevado número de cartões — todos bem mostrados —, Pedro Henriques sublinha que um jogo com tantas sanções não é habitual ao mais alto nível da Champions. Ainda assim, a gestão foi coerente e o tempo extra concedido (cinco minutos) ajustado ao número de interrupções.
No final, fica a ideia de uma arbitragem segura nos momentos-chave, com boa intervenção do VAR, mas com um lance que continuará a ser discutido: o possível penálti por assinalar sobre Berenguer. Um detalhe que não apaga a qualidade global do trabalho, mas que mostra como, mesmo com tecnologia, o futebol continua a viver de fronteiras muito finas.