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Nacional
11/04/26 às 17:57

Benfica lucrou 29 milhões no primeiro semestre — mas o cfo já faz as contas sem champions e dispara: "não precisamos da centralização"

Nuno Catarino apresentou 29M€ de lucro e disse que é "bastante bom". Mas admitiu que sem Champions na próxima época "terão de fazer ajustamentos". E atirou à centralização televisiva que entra em vigor em 2028: "O Benfica não precisa dela."

O Benfica apresentou ontem os resultados do primeiro semestre de 2025/26 com um lucro consolidado de 29 milhões de euros. Nuno Catarino, CFO e vice-presidente financeiro do clube, classificou o resultado como "bastante bom" numa entrevista à BTV — mas as declarações mais impactantes não foram sobre os números positivos. Foram sobre o que acontece se o número mais importante de todos — a qualificação para a Champions — não se confirmar.

Questionado sobre um cenário em que o Benfica falhasse a Champions na próxima época, Catarino não desviou: "Para já, o cenário é de chegarmos à Liga dos Campeões. Esse é o cenário central e é sempre para isso que trabalhamos. Nalguma eventualidade, acredito muito remota, de ser algo diferente — também já aconteceu no Benfica no passado — tem de se fazer os ajustamentos necessários para garantir o equilíbrio económico-financeiro e desportivo. Mas estaremos cá para fazer esse trabalho."

Uma declaração que, num clube que está actualmente em terceiro lugar a sete pontos do líder, soa menos hipotética do que Catarino gostaria.

Os números apresentados revelam o peso que a Champions tem nas contas das águias. A participação na edição de 2024/25 rendeu 71 milhões de euros. Esta temporada, o valor está nos 53 milhões — uma queda de quase 20 milhões directamente ligada à diferença de rendimento nas duas competições. A ambição declarada do clube é atingir receitas consolidadas de 500 milhões de euros nos próximos cinco anos — um salto enorme dos actuais 300 milhões, mas que depende de infraestrutura (o Benfica District está em fase de licenciamento) e de manutenção na elite europeia.

Sobre a centralização dos direitos televisivos — que a lei prevê entrar em vigor em 2028/29 — Catarino foi combativo: "O Benfica não precisa da centralização para valorizar o produto que comercializa. Nós fomos ao mercado em condições difíceis, para vender um produto a dois anos quando toda a gente quer produtos a cinco ou dez, e tivemos um resultado superior ao que tínhamos antes. Não nos façam copy-paste de outros mercados — ainda por cima mercados que já estão a correr mal."

Para o Benfica, a centralização no modelo previsto pode significar uma perda de 5 a 15 milhões de euros por época. Uma conta que o clube não está disposto a pagar — e que luta activamente para evitar através de reuniões com grupos parlamentares na Assembleia da República.