adeptos-logo
Modalidades
31/01/26 às 11:52

Entre a festa e o excesso: jogadores alertam para ambiente cada vez mais hostil no Open da Austrália

O Open da Austrália entra na recta final com o habitual brilho mediático e desportivo, mas nem tudo são aplausos em Melbourne.

À medida que o torneio cresce em dimensão e atrai novos públicos, começam também a surgir sinais de preocupação entre alguns dos protagonistas dentro do court, que alertam para um ambiente considerado cada vez mais excessivo e pouco compatível com a tradição do ténis.

Entre o respeito e a aposta segura: Nadal inclina-se para um favorito na final de Melbourne

Com a final masculina entre Carlos Alcaraz e Novak Djokovic marcada para domingo, e a decisão feminina a disputar-se este sábado, várias estrelas do circuito têm manifestado desconforto com o comportamento de parte do público. Segundo uma reportagem do Daily Mail, tornou-se mais frequente a presença de adeptos embriagados nas bancadas, o que resulta em assobios, interrupções constantes e atitudes claramente afastadas do fair play que caracteriza a modalidade.

Um dos focos da polémica é o Court 6, que terá sido transformado numa autêntica “zona de festa”. Antes e durante os jogos, dezenas de pessoas juntam-se nesse espaço para consumir álcool e assistir ao ténis num ambiente mais próximo de um festival do que de uma competição de alto nível. Para alguns jogadores, esta animação descontrolada acaba por interferir directamente com o rendimento em campo e com o respeito devido aos atletas.

O francês Arthur Rinderknech é um dos exemplos citados na reportagem. Durante a edição de 2024, o jogador protagonizou um momento de tensão junto a esse court, depois de perder a paciência com adeptos que o insultavam repetidamente sempre que falhava o primeiro serviço. Na altura, chegou mesmo a atirar uma bola na direcção das bancadas, num episódio que deu muito que falar.

“Algumas pessoas estúpidas, que estavam bêbadas, gritavam comigo sempre que falhava. Isso não me parece correcto”, explicou Rinderknech, acrescentando que o ambiente lhe pareceu mais próximo de uma discoteca do que de um torneio de Grand Slam. O francês ironizou ainda ao afirmar que sempre associou esse tipo de clima ao US Open, não ao Open da Austrália, tradicionalmente visto como um dos torneios mais familiares do circuito.

Gestão cuidadosa no meio-campo: Barrenechea continua condicionado, mas segue disponível

Apesar das críticas, a organização mantém a aposta num modelo mais festivo, com o objectivo de atrair novos públicos e tornar o evento mais apelativo fora dos courts principais. No entanto, o equilíbrio entre entretenimento e respeito pelo jogo parece estar a ser posto à prova, numa altura em que os próprios atletas pedem reflexão sobre os limites que não devem ser ultrapassados.