O avançado do FC Porto chega ao jogo frente ao Gil Vicente, da 19.ª jornada da I Liga, numa fase sensível da temporada e com um objetivo claro: voltar aos golos e provar que continua a ser a principal referência ofensiva dos dragões.
Samu Aghehowa volta a cruzar-se com um adversário que lhe tem causado mais dissabores do que alegrias.
O avançado do FC Porto chega ao jogo frente ao Gil Vicente, da 19.ª jornada da I Liga, numa fase sensível da temporada e com um objetivo claro: voltar aos golos e provar que continua a ser a principal referência ofensiva dos dragões.
Os números da época continuam a sustentar esse estatuto. Samu soma 19 golos e uma assistência em 28 jogos oficiais em 2025/26, registo que o coloca entre os avançados mais influentes do campeonato. Ainda assim, o momento actual está longe do ideal. O internacional espanhol atravessa uma sequência invulgar de três jogos consecutivos sem marcar — frente a Benfica, Vitória SC e Viktoria Plzen — com o peso adicional de dois penáltis desperdiçados nesses encontros.
Se no Estádio D. Afonso Henriques o erro acabou por não ter impacto directo no resultado, graças à eficácia posterior de Alan Varela, o mesmo não se pode dizer do empate na Chéquia, diante do Viktoria Plzen, onde a grande penalidade falhada condicionou seriamente as contas do apuramento directo na Liga Europa. O apito final deixou marcas visíveis: Samu não conteve as lágrimas e foi confortado por colegas e até por adversários, numa imagem que correu a Europa.
A deslocação a Barcelos traz, por isso, um simbolismo acrescido. O Gil Vicente é uma das quatro equipas da I Liga às quais Samu ainda não conseguiu marcar, a par de Sporting, Sporting de Braga e Alverca. Mais do que isso, é um adversário associado a memórias negativas. No primeiro duelo entre ambos, a 19 de Janeiro de 2025, no Estádio Cidade de Barcelos, o FC Porto perdeu por 3-1 e o jovem avançado acabou expulso após protestos veementes junto do árbitro Fábio Veríssimo. O episódio culminou com o empurrão a um painel publicitário e valeu-lhe um jogo de suspensão.
O segundo confronto, já sob o comando de Francesco Farioli, também não correu de feição, embora por razões bem diferentes. O FC Porto venceu por 0-2, mas Samu sofreu uma rotura muscular ainda na primeira parte, obrigando à substituição precoce. Mais uma vez, as câmaras captaram o avançado em lágrimas no banco de suplentes, num momento de frustração e impotência.
Cinco meses depois, o cenário é outro, mas o desejo mantém-se: marcar ao Gil Vicente e riscar mais um nome da lista de adversários “em branco”. Apesar da fase menos feliz, Farioli não deixou de lhe dar respaldo público. Após o empate com o Viktoria Plzen, o treinador foi claro na defesa do seu ponta-de-lança.
“É um jogador muito importante. É jovem e estes momentos fazem parte do crescimento. Vai marcar muitos golos durante muitos anos”, garantiu, sublinhando ainda a confiança total da equipa e dos adeptos. Farioli foi mais longe: mesmo depois dos penáltis falhados, não retirou responsabilidades ao jogador. “O próximo penálti será dele. Não há qualquer dúvida”, assegurou.
Agora, Samu volta ao chamado “local do crime”, mas com uma oportunidade rara de virar a narrativa. Entre a pressão, as memórias difíceis e a confiança inabalável do treinador, o duelo com o Gil Vicente pode marcar o início de uma nova página — ou, pelo menos, do golo que falta para dar razão a Farioli.