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Nacional
08/04/26 às 11:51

O ADEUS QUE FALTAVA: GYÖKERES DEU UMA VOLTA A ALVALADE SOB APLAUSOS — E RUI BORGES REVELOU O QUE LHE DISSE NO ABRAÇO

Gyökeres voltou a Alvalade como adversário, fez uma exibição discreta, foi muito aplaudido — e no final deu uma volta ao relvado a agradecer a despedida que não teve quando saiu. Rui Borges revelou o que lhe disse: "Ajudou-me imenso a ser campeão."

Havia uma história dentro do jogo que muitos queriam ver mais do que o próprio resultado. Viktor Gyökeres voltava a Alvalade pela primeira vez desde que saiu no verão para o Arsenal por 73,5 milhões de euros. O homem dos 97 golos em 102 jogos. O avançado que durante dois anos foi o rei absoluto de um estádio que o adorava. Como seria a recepção? Como se sentiria ele?

A resposta chegou logo nos primeiros minutos. Quando Gyökeres pisou o relvado no aquecimento, Alvalade aplaudiu. Não todos — houve algumas vaias dispersas, vozes que guardam rancor pela forma como a saída foi gerida no verão passado — mas a maioria aplaudiu. Com carinho. Com saudade. Como se despede um ídolo que partiu para algo maior.

Em campo, o regresso foi discreto. Diomande e Gonçalo Inácio marcaram-no de perto durante todo o jogo, não lhe deram espaço para respirar e o sueco terminou a primeira parte com apenas nove toques na bola — um número mínimo para um avançado desta categoria. Gyökeres foi disciplinado, trabalhou para a equipa, fez os movimentos certos, mas a chama que iluminou Alvalade durante dois anos estava controlada. Aos 63 minutos, a jogada em que o seu fora de jogo anulou o golo de Zubimendi foi o momento mais falado da sua noite — e não pelo motivo certo.

Mas foi depois do apito final que aconteceu o momento que muitos vão guardar. Com o relvado praticamente vazio, Gyökeres não foi directamente para o balneário. Cumprimentou todos os ex-companheiros com abraços e sorrisos. E depois, numa decisão espontânea que comoveu o estádio, começou a dar uma volta ao relvado — a saudar as bancadas, a agradecer os aplausos, a despedir-se de uma casa onde foi feliz de uma forma que não teve oportunidade de fazer quando saiu precipitadamente no verão. Alvalade correspondeu com palmas. Foi bonito.

Rui Borges, que ainda encontrou o sueco no relvado antes de ir para a conferência de imprensa, revelou a conversa que tiveram: "Apenas perguntei se estavam bem, se a família estava bem. Que estava feliz por ele. Merece o reconhecimento — ajudou-me imenso a ser campeão nacional, deu tudo enquanto cá esteve, marcou a história do Sporting e do campeonato português e é sempre bem-vindo. Merece ser aplaudido."

Uma frase que fecha o capítulo com a nobreza que a história merecia. Gyökeres saiu de Alvalade com uma vitória — mas deixou ali algo que não se compra com dinheiro nenhum.

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Miguel Costa