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Nacional
06/01/26 às 19:31

Entre risos, ironia e futebol sério: Mourinho explica o momento do Benfica

José Mourinho voltou a ser José Mourinho. Na antevisão do encontro entre o Benfica e o SC Braga, a contar para a Taça da Liga, o treinador encarnado ofereceu uma conferência de imprensa longa, detalhada e, sobretudo, recheada de humor, ironia e gargalhadas, sem nunca fugir aos temas sensíveis do momento.

Confrontado com o número elevado de lesões e a exigência brutal do calendário, Mourinho afastou qualquer ideia de “reinvenção” da equipa, preferindo falar em adaptação. Com várias ausências — entre elas António Silva e Enzo Barrenechea — o técnico explicou como a articulação com a equipa B se tornou essencial, mesmo assumindo que essa colaboração tem prejudicado o rendimento da formação secundária. Ainda assim, deixou claro que jovens como Gonçalo Oliveira, Prioste ou João Rego estão “à porta” da equipa principal, beneficiando da competitividade da Liga 2 como base sólida de crescimento.

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O treinador sublinhou que a situação actual é mais difícil do que anteriores crises físicas, recordando a longa ausência de Lukebakio como exemplo de superação colectiva. Agora, com menos margem de manobra, Mourinho admite que cada semana sem um lesionado representa mais jogos perdidos, num ciclo exigente que obriga a ir “até ao limite”.

Sobre o jogo com o Braga, afastou leituras tácticas simplistas e recusou a ideia de equipas excessivamente calculistas. Conhecedor do trabalho de Carlos Vicens, Mourinho garantiu que não acredita num Braga a pensar em penáltis ou num Benfica a gerir resultados mínimos. “Os jogos nem sempre vão para onde os treinadores querem”, explicou, antecipando um duelo aberto e competitivo.

Um dos momentos mais atentos da conferência surgiu quando foi questionado sobre Ruben Amorim. Sem dramatismos, Mourinho recusou ver a saída do técnico como um factor de pressão para os treinadores em Portugal, lembrando a sua própria passagem pelo Manchester United. “Quando fecho uma porta, fecho mesmo”, afirmou, acrescentando que apenas Amorim poderá fazer a sua própria análise do que viveu.

A arbitragem e o VAR também entraram em discussão. Mourinho defendeu publicamente a honestidade e competência dos árbitros, mas voltou a criticar as zonas cinzentas do VAR, considerando que são precisamente as decisões duvidosas que alimentam polémicas e instabilidade ao longo da semana.

No capítulo mais leve, o treinador divertiu-se com perguntas sobre a importância da Taça da Liga, a responsabilidade histórica do Benfica e até a possibilidade de rotatividade na baliza. Entre respostas curtas, risos e provocações bem-humoradas, Mourinho assumiu que gostaria muito de conquistar o primeiro troféu ao serviço do clube, não pelo impacto histórico, mas pela alegria dos adeptos e pela dedicação de um grupo que descreveu como “muito unido, trabalhador e solidário”.

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No final, entre quatro perguntas para uma resposta e várias gargalhadas, ficou a sensação de que Mourinho está confortável, consciente das dificuldades, mas fiel ao seu registo: frontal, experiente e, quando quer, deliciosamente descontraído.