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Internacional
16/01/26 às 10:42

Zidane recorda 2016 e explica como transformou um Real Madrid fragilizado numa máquina vencedora

O Real Madrid vive actualmente um período de grande instabilidade, marcado pelo despedimento de Xabi Alonso e por um arranque atribulado de Álvaro Arbeloa no comando técnico.

Num contexto em que se procuram soluções para devolver tranquilidade e competitividade ao clube, as palavras de Zinédine Zidane soam quase como um manual de sobrevivência para tempos difíceis, recordando a revolução silenciosa que operou em 2016.

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Em entrevista ao canal de YouTube Hamidou Msaidie, o antigo médio francês recuou ao momento em que assumiu o comando da equipa principal, numa altura em que o balneário estava fragilizado após a saída de Rafa Benítez. O que se seguiu tornou-se um dos capítulos mais marcantes da história do clube: três Ligas dos Campeões consecutivas, conquistadas em 2016, 2017 e 2018.

Zidane começou por recordar o impacto emocional da subida da equipa B para a principal. “Quando comecei no Real Madrid Castilla, tinha o sonho da equipa principal, mas depois de perder três jogos logo no início pensei que tudo acabaria ali. Sabia onde me estava a meter. Tínhamos a melhor equipa do mundo”, afirmou, explicando que o segredo esteve desde logo na forma como abordou o trabalho diário. “Não queríamos que os treinos fossem todos iguais.”

O antigo treinador dos merengues reconheceu que encontrou um grupo em dificuldades físicas e mentais. “Chegámos num ponto crítico. A equipa não estava bem fisicamente e tivemos de lhes incutir a ideia de trabalho colectivo”, explicou. O calendário acabou por jogar a seu favor, permitindo semanas limpas para treinar, algo que Zidane aproveitou ao máximo. “Reuni-me com os quatro capitães e disse-lhes o que queria deles. Quando aceitaram trabalhar, tudo acabou e chegou a alegria.”

A palavra “alegria” surge como conceito-chave no discurso de Zidane, sempre associada ao rigor e à exigência. “Trabalho e alegria. Pusemo-los a correr. O trabalho físico foi fundamental”, sublinhou, revelando ainda a franqueza com que abordava os grandes jogos. “Disse-lhes que, se jogássemos contra o Atlético ou o Barcelona daquela forma, perderíamos a 100%. Se trabalhássemos juntos, poderíamos ganhar-lhes — e foi o que aconteceu.”

A relação com os jogadores foi outro dos pilares do sucesso. Zidane defendeu uma liderança próxima e empática, mas sem abdicar da meritocracia. “Estamos ao dispor dos jogadores. Se não entendes isto, não podes durar nesta profissão”, afirmou, explicando que ninguém tinha lugar garantido. “Se na segunda-feira já sabes quem vai jogar no sábado, é mau sinal. Quem não joga não vai treinar bem.”

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O resultado dessa abordagem foi um grupo confiante, competitivo e unido, capaz de dominar a Europa durante três épocas consecutivas. Um exemplo que, em tempos conturbados no Santiago Bernabéu, continua a servir de referência — e de comparação inevitável — sempre que o Real Madrid parece à procura de um novo rumo.