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Internacional
01/03/26 às 14:17

Mundial em risco? O cenário que pode abalar o Grupo G em 2026

A eventual desistência do Irão do Mundial 2026, após o agravamento do conflito no Médio Oriente, levanta dúvidas desportivas, diplomáticas e logísticas. FIFA poderá nomear substituto e alterar profundamente o Grupo G.

A possibilidade de a seleção do Irão abdicar da participação no Mundial de 2026 ultrapassa largamente as quatro linhas. Num contexto de tensão geopolítica crescente, após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, a presença da equipa asiática no torneio está sob forte incerteza.

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O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, já admitiu que disputar uma competição coorganizada pelos Estados Unidos poderá ser “inapropriado”. A declaração abriu um cenário que a FIFA esperava evitar: a retirada de uma seleção já qualificada para a maior prova do futebol mundial.

O Irão garantiu presença no Grupo G, ao lado de Egito, Bélgica e Nova Zelândia. Estava previsto que a equipa realizasse o seu estágio em Tucson, no Arizona, com jogos da fase de grupos agendados para Los Angeles, no SoFi Stadium, e para Seattle, no Lumen Field. A eventual saída obrigaria a FIFA a designar um substituto, o que implicaria alterações imediatas no calendário, logística de viagens, venda de bilhetes e direitos televisivos.

A nível competitivo, o Grupo G sofreria uma reconfiguração total. Bélgica e Egito teriam de reajustar preparação e estratégia, enquanto o mercado comercial ligado à seleção iraniana — incluindo adeptos, patrocinadores e audiências televisivas — desapareceria de forma abrupta.

Há ainda uma dimensão cultural particularmente sensível. Em Los Angeles reside a maior comunidade iraniana fora do Irão, estimando-se entre 130 mil e 220 mil pessoas na Grande Los Angeles, numa área conhecida informalmente como “Tehrangeles”. Para muitos iraniano-americanos, a presença da seleção no Mundial representaria um momento de identidade cultural e não necessariamente um gesto político.

Um eventual jogo do Irão em Los Angeles teria um significado simbólico profundo. A memória do histórico Irão–Estados Unidos de 1998, quando os iranianos venceram por 2-1 num encontro carregado de simbolismo diplomático, permanece viva. O futebol foi, então, ponte onde a política ergue muros. Em 2026, essa ponte pode nem chegar a ser construída.

O encontro agendado para Seattle entre Irão e Egito já gerava controvérsia adicional, por coincidir com celebrações do orgulho LGBTQ+. Tanto o Irão como o Egito, países onde a homossexualidade é criminalizada, manifestaram reservas. A retirada iraniana eliminaria essa tensão específica, mas não resolveria o contexto mais amplo de fricção cultural.

Regulamentarmente, a FIFA poderá convidar uma seleção substituta. Os Emirados Árabes Unidos surgem como hipótese em alguns relatórios relacionados com a qualificação asiática, mas nenhuma decisão oficial foi anunciada. A entidade máxima do futebol mundial insiste que deseja a participação de todas as equipas qualificadas, sublinhando garantias de segurança.

No entanto, a realidade política poderá impor outro desfecho. Para a federação iraniana, enviar uma equipa para território norte-americano após um confronto militar direto comporta riscos internos e diplomáticos. Para os jogadores, a decisão terá também uma dimensão pessoal.

O Mundial de 2026 foi concebido como símbolo de união entre três países anfitriões e 48 seleções. Mas essa unidade depende da presença de todos. Caso o Irão se retire, o impacto será sentido não apenas na classificação do grupo, mas na própria narrativa de um torneio que pretendia celebrar o futebol acima de tudo.

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