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Insólitos do Desporto
14/04/26 às 18:22

Fato e gravata no deserto: corredor japonês desafia a lógica na Maratona das Areias

A Maratona das Areias voltou a ser palco de histórias fora do comum, mas poucas terão chamado tanta atenção como a de Masahiro Michinaka.

 O corredor japonês participou na exigente prova realizada no Deserto do Sara, no sul de Marrocos, e decidiu enfrentar uma das etapas mais duras da competição… vestido de fato completo, camisa e gravata, mantendo ainda uns ténis de corrida laranja como única concessão à performance desportiva.

A Marathon des Sables é amplamente considerada uma das provas de resistência mais duras do planeta. Ao longo de cerca de 250 quilómetros, distribuídos por sete dias e seis etapas, os atletas enfrentam condições extremas, correndo praticamente de forma autónoma. Cada participante transporta a sua própria alimentação e equipamento, recebendo apenas água e um abrigo básico para pernoitar em tendas partilhadas. As temperaturas podem atingir os 40 graus e as tempestades de areia são uma constante, tornando cada etapa um verdadeiro teste de sobrevivência física e mental.

Foi precisamente na quarta etapa, uma das mais exigentes da competição com uma distância de cerca de 100 quilómetros, que Michinaka decidiu correr com o seu traje formal. A escolha não passou despercebida entre os restantes participantes e organização, sobretudo pela combinação improvável entre o rigor extremo da prova e a formalidade do vestuário.

De acordo com os dados disponíveis no seu perfil na UTMB, esta não é a primeira experiência de Michinaka em eventos de ultra-resistência. No ano passado, competiu na Okumusashi Long Trail 35K, no Japão, uma prova com mais de 2.300 metros de desnível positivo, concluída em pouco menos de nove horas.

Embora possa parecer uma excentricidade isolada, a verdade é que não é a primeira vez que atletas optam por equipamentos ou trajes pouco convencionais em maratonas e ultra-maratonas. Em alguns casos, estas escolhas estão associadas à tentativa de estabelecer recordes do Guinness, nomeadamente na categoria de maratona mais rápida em fato completo, um registo que continua a evoluir e que já desceu para tempos impressionantes, como o 2h38m21s alcançado no ano passado pelo neozelandês Jason Hunt.

Mais do que uma curiosidade, o caso de Michinaka volta a expor a dimensão quase ilimitada da criatividade dentro do desporto de resistência, onde a performance física convive, por vezes, com gestos de forte carga simbólica ou simplesmente com o desejo de quebrar padrões estabelecidos.