Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Gil Vicente, jogo em atraso referente à 24ª jornada da I Liga, Bruno Lage chamou a atenção para as dificuldades que o Benfica vai encontrar nesta visita a Barcelos.
"Essa é a questão. Tivemos a oportunidade de analisar os dois jogos que a equipa fez sob o comando do César [Peixoto]. Claramente identificados. Mas tivemos também oportunidade de verificar algumas ideias que ele tinha no Moreirense. Nestes dois jogos houve dinâmicas diferentes, e a dúvida que temos é perceber se são dinâmicas que ele implementa em função dos jogadores que tem à disposição, ou se aproveitou este espaço de tempo para as treinar. No entanto, é uma equipa muito interessante e já o tinha dito na 1.ª volta, com jogadores muito bons no terço ofensivo, uma equipa que cria muitas diagonais. Exemplo disso foi o golo que fizeram na Luz. Um jogo difícil, entrada no terço final do campeonato, as equipas vão juntar-se mais e estar mais aguerridas para lutar por pontos. Sabemos que é um estádio difícil mas temos de estar na concentração máxima, estamos a entrar na reta final. Amanhã é uma final muito importante e temos de vencer", afirmou.
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O técnico encarnado anunciou três boas notícias na sua convocatória: Otamendi, Tomás Araújo e Di María e lembrou que a luta pelo título é uma corrida a quatro.
"Estão os três convocados e amanhã vamos tomar as melhores decisões tendo em conta as pequenas mazelas que trouxeram de trás. Volto a repetir o que já disse. Em função dos confrontos diretos, acho que é uma corrida a quatro. Apesar do mister Carlos Carvalhal não gostar muito, coloco também na corrida o SC Braga. É uma equipa muito interessante, reinventou-se, apresentam futebol de qualidade. É uma corrida a quatro e temos de fazer a nossa parte. Foi essa a mensagem que passámos aos jogadores, temos falado muito sobre sermos uma família, uma tropa, e é isso que temos de fazer. Estar juntos, correr uns pelos outros, e tropa é por lutarmos uns pelos outros para conquistar títulos", referiu.
"O Di María está convocado para amanhã. Treinou bem e, como tal, está convocado. Sobre o jogo, é continuarmos na dinâmica que vínhamos anteriormente. Por força das circunstâncias, continuar a jogar de três em três dias. Temos Gil Vicente, Farense e FC Porto, e o foco é no jogo de amanhã, no que temos de fazer e nos três pontos que temos de conquistar", acrescentou.
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Questionado sobre as alterações que poderão acontecer na forma de jogar do Benfica com o regresso de Di María, Lage preferiu destacar aquilo que todos os avançados que tem à sua disposição aportam à dinâmica da equipa.
"Cada jogador oferece, por força das caraterísticas, certas dinâmicas. Poder contar com Di María e com os avançados que temos é gratificante. Depois é termos oportunidade de colocar isso em prática. A dinâmica tem de ser sólida, uma base. E depois vem das caraterísticas. Gostamos que os alas joguem por dentro e por fora, temos utilizado o Di María mais pela direita por causa do pé esquerdo. O Kerem tem jogado nos dois corredores e tem feito um bom trabalho. Bruma, Schjelderup, Amdouni também oferece imprevisibilidade. É conseguirmos tirar partido e rendimento de todos. E também, é interessante perceber a forma como os laterais depois combinam com os alas. Vou lançar-lhe uma questão mais tática: é muito interessante verificar que o Di María tem um posicionamento inicial [diferente] quando estamos a construir, com Bah e Tomás Araújo", disse.
O treinador das águias foi questionado sobre temores relativas a eventuais recaídas e respondeu lembrando os riscos associados à profissão de futebolista, recordando também o azar que bateu à porta de Bah e Manu Silva.
"Isto é uma profissão de risco, quando os jogadores entram em campo para treino ou jogo, podem lesionar-se. Há dois meses, assisti a algo que nunca tinha assistido. Dois atletas, que se calhar estavam no melhor momento profissional e pessoal, que foi o Bah, que tinha acabado de ser pai, e o Manu, que tinha conseguido a transferência para o Benfica, lesionam-se no mesmo minuto e na mesma zona do terreno. É sempre um risco. O importante é termos a consciência de que, a cada momento, tomamos as melhores decisões em função do rendimento e das caraterísticas de cada um", considerou.
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Samuel Dahl e Renato Sanches encontram-se a atravessar um bom momento e por isso, Lage foi questionado sobre a possibilidade de o clube adquirir os jogadores a título definitivo.
"Aquilo em que tenho de me concentrar, porque há pessoas que estão a tratar da próxima época, independentemente das eleições em outubro... Temos o presidente, Rui Pedro Braz, Lourenço Coelho. Há um conjunto de coisas que têm de ser preparadas ao detalhe. O que me compete é vencer o campeonato, a Taça de Portugal. Olhar o futuro com os olhos que tem de ser. O que me compete é estar concentrado e focado no próximo jogo, para dentro de um mês e meio podermos estar a disputar o campeonato e a Taça de Portugal", frisou.
De resto, Lage não quer pensar na margem de erro curta nesta reta final de campeonato.
"No campeonato de 2018/19 não havia margem para errar porque o confronto [direto] foi muito cedo. Fomos ao Dragão vencer e depois empatámos com o Belenenses. Como olhamos para as últimas jornadas e temos confrontos diretos, acredito que temos de chegar a esse momento para disputar o campeonato. É não olhar muito para a frente, mas sim para o que temos de fazer em cada momento. Vamos entrar em ciclos consecutivos. Temos um jogo em atraso, temos o jogo da Taça, vamos continuar a jogar de três em três dias. Temos de nos concentrar no presente para, daqui a um mês e meio, olharmos para o que fizemos, conscientes de que tomámos as melhores decisões e com a sensação de dever cumprido", concluiu.
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