Correr uma maratona já é, por si só, um desafio físico e mental. Agora imagine fazê-lo a mais de mil metros de profundidade, com temperaturas de 30 °C, alta humidade e escuridão total. Foi exatamente isso que 60 corredores de 18 países viveram no domingo, na mina de zinco Boliden Garpenberg, em Garpenberg, Suécia — aquela que já é oficialmente a maratona mais profunda do mundo.
Veja também: Palmeiras de Abel na final da Libertadores após reviravolta épica (VÍDEO)
A prova inédita, organizada pela Fundação BecomingX e pelo Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), estabeleceu dois recordes do Guinness: o de maratona individual mais profunda e o de maratona subterrânea mais profunda em equipa. Os atletas percorreram 11 voltas a um túnel de 3,84 km, totalizando os 42,195 km da distância clássica, iluminados apenas por lanternas presas aos capacetes e com o apoio de equipamentos refletores para garantir a segurança.
Antes de chegarem à linha de partida, os participantes tiveram de descer um quilómetro de elevador e seguir por túneis em veículos 4×4 até ao ponto de partida. Apesar das condições extremas, a organização garantiu que o ar subterrâneo era surpreendentemente rico em oxigénio — mais do que o ar à superfície — graças à pressão barométrica e ao sistema de ventilação filtrada da mina.
Veja também: Abel Ferreira chora em pleno relvado após feito histórico (VÍDEO)
Dos 60 atletas, 55 conseguiram completar a prova, um feito notável dadas as circunstâncias. E mais do que quebrar recordes, a maratona teve um propósito solidário: angariar fundos para causas humanitárias. O evento arrecadou mais de um milhão de dólares, divididos entre a Fundação BecomingX, que apoia jovens carenciados em África, e a Fundação Wild at Heart, dedicada à redução ética da população global de cães abandonados.
Com este evento, a World Marathon Series e os organizadores quiseram provar que a corrida não tem limites — nem mesmo os da superfície terrestre. Porque, como se viu em Garpenberg, há quem esteja disposto a ir literalmente até ao fundo para fazer história.
