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16/01/26 às 19:38

Dois Recordes, Um Susto e Uma Goleada Natural: Portugal Entra a Arrasar no Europeu de Andebol

Arranque histórico confirma estatuto dos Heróis do Mar frente à Roménia

Portugal entrou no Campeonato da Europa de Andebol com tudo aquilo que os adeptos aprenderam a exigir desta geração: ambição, intensidade, qualidade ofensiva e uma sensação clara de que ganhar já não é surpresa — é obrigação. O triunfo por 40-34 frente à Roménia foi mais do que uma vitória confortável na estreia: foi uma declaração de intenções, com dois recordes batidos, um susto pelo meio e a confirmação de que esta Seleção quer mais do que “participar”.

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Depois do histórico quarto lugar no último Mundial, que mudou definitivamente a forma como Portugal é encarado no panorama internacional, o Europeu surgia como o primeiro grande teste a essa nova realidade. Já não se fala apenas em competir; fala-se em desafiar o impossível, em discutir pódios, em dar o passo seguinte. E este primeiro jogo mostrou precisamente isso.

Pressão, renovação e um grupo que já sabe ganhar

A Seleção Nacional atravessa uma fase de renovação tranquila, com jogadores que brilharam nos escalões jovens a integrarem a equipa A com naturalidade. Francisco Costa, eleito Melhor Jogador Jovem do último Mundial, e Martim Costa, que integrou o Sete Ideal da prova, são apenas os rostos mais visíveis de um colectivo cada vez mais sólido.

Sob o comando de Paulo Jorge Pereira, Portugal chegou a este Europeu com outra aura. Se outrora a qualificação já era motivo de celebração, hoje o discurso é outro. A presença consecutiva em fases finais, os bons resultados em Mundiais e Europeus, o apuramento olímpico e o crescimento individual dos atletas elevaram a fasquia — e a pressão acompanha inevitavelmente esse crescimento.

Um início nervoso… e depois o rolo compressor

O jogo começou com algum nervosismo. Nos primeiros cinco minutos, a Roménia aproveitou algumas dificuldades ofensivas portuguesas e chegou a liderar por dois golos. A aposta inicial com Salvador Salvador no lugar de Martim Costa, ao lado de Rui Silva e Francisco Costa, não teve impacto imediato no ataque.

Mas foi sol de pouca dura. O aumento da agressividade defensiva, aliado a intervenções decisivas de Gustavo Capdeville, virou o jogo por completo. Um parcial de 5-0 colocou Portugal na frente e nunca mais largou o controlo do encontro. Aos 20 minutos, o marcador já mostrava um esclarecedor 17-10.

A Roménia tentou variar soluções ofensivas, arriscou o 7×6 e procurou explorar o jogo interior, mas encontrou uma defesa portuguesa sem medo de arriscar e um ataque cada vez mais criativo. Golos aéreos, transições rápidas e uma primeira linha com múltiplas soluções começaram a fazer estragos.

Intervalo de recorde… e ambição máxima

Ao intervalo, Portugal vencia por 23-15. O número não era apenas confortável: era histórico. A Seleção bateu o recorde de golos marcados numa primeira parte em Campeonatos da Europa, superando largamente o anterior máximo de 18. O objectivo seguinte estava à vista: a maior vitória portuguesa de sempre na prova.

Na segunda parte, houve um momento de alerta. A Roménia reduziu para cinco golos de diferença e tentou relançar o jogo. Mas Capdeville voltou a aparecer, Martim Costa assumiu o ataque e a vantagem foi rapidamente reposta.

O susto de Martim e mais um recorde

O único momento verdadeiramente negativo surgiu quando Martim Costa, ao marcar o seu sexto golo — ultrapassando um registo histórico do pai, Ricardo Costa — foi pisado inadvertidamente pelo guarda-redes romeno. O lateral do Sporting saiu com dores, mas acabaria por recuperar e regressar ao jogo, para alívio geral.

Com tudo resolvido, Paulo Jorge Pereira rodou a equipa, deu minutos a todos e o ritmo baixou ligeiramente. Ainda assim, Francisco Costa continuou de “mão quente”, assinando golos de enorme qualidade e terminando como melhor marcador do encontro com nove golos.

No final, o 40-34 não só confirmou a superioridade portuguesa como estabeleceu um novo recorde: nunca Portugal tinha marcado tantos golos num jogo de Europeu, superando os 37 apontados frente à Noruega em 2024.

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Uma estreia à altura das ambições

Foi um arranque acima das expectativas, mesmo para quem já se habituou a esta Seleção a surpreender. Dois recordes, uma vitória segura e a sensação clara de que Portugal entrou neste Europeu para discutir tudo. O desafio seguinte será bem mais exigente, mas a mensagem ficou clara logo no primeiro jogo: os Heróis do Mar já não pedem licença.