Quatorze meses depois de ter colapsado em pleno relvado durante um jogo da Serie A, o médio italiano está de volta à competição e prepara-se para escrever um novo capítulo da sua carreira ao serviço do Watford.
Há regressos que valem mais do que qualquer resultado desportivo. O de Edoardo Bove é um desses casos raros em que o futebol passa claramente para segundo plano.
Quatorze meses depois de ter colapsado em pleno relvado durante um jogo da Serie A, o médio italiano está de volta à competição e prepara-se para escrever um novo capítulo da sua carreira ao serviço do Watford.
O episódio que marcou a vida de Bove aconteceu em Dezembro de 2024, num encontro entre Fiorentina e Inter, quando o jogador, então emprestado pelo Roma, caiu inanimado no relvado. O médio teve de ser reanimado no local e transportado de urgência para o hospital, onde foi colocado em coma induzido. Um momento dramático que chocou o futebol italiano e levantou sérias dúvidas quanto à continuidade da sua carreira.
Após um longo e cuidadoso processo de recuperação, Bove recebeu autorização médica para regressar à prática competitiva. No entanto, a legislação desportiva italiana impede atletas que utilizem desfibrilhador de competir em Itália, o que levou o jogador, de 23 anos, a rescindir contrato com a Roma e procurar uma alternativa fora do país. A solução surgiu em Inglaterra, no Championship, uma competição exigente e fisicamente intensa, onde o Watford lhe abriu as portas.
Em declarações divulgadas pelos canais oficiais do clube inglês, Bove mostrou-se emocionado com a receção: “Desde o primeiro dia deram-me todas as condições para dar este passo importante. Estou muito orgulhoso por regressar num clube histórico como o Watford. Adoro desafios e não vim apenas de passagem.” Palavras que revelam não só gratidão, mas também ambição renovada.
O médio sublinhou ainda que o regresso aos jogos será decidido com cautela, em articulação com a equipa técnica e o departamento médico. Para já, voltou a treinar, individualmente e com o grupo, reencontrando sensações que lhe fizeram falta durante meses: o balneário, o convívio e a rotina de jogador profissional.
Antes de aceitar a proposta inglesa, Bove procurou aconselhamento junto de Christian Eriksen, que viveu uma experiência semelhante ao colapsar num jogo do Europeu e que também teve de sair do Inter para continuar a carreira em Inglaterra. “Trocámos mensagens, ouvi os seus conselhos. Este tempo ajudou-me a conhecer melhor o meu corpo e a crescer como pessoa”, concluiu.
Mais do que um simples regresso, a história de Edoardo Bove é um poderoso lembrete de resiliência, coragem e amor ao futebol.