Não apenas pelo resultado, mas sobretudo pela forma como os red devils se apresentaram em campo. Uma exibição intensa, agressiva e surpreendentemente madura que levou Gary Neville a assumir publicamente o seu espanto.
A vitória do Manchester United frente ao Arsenal, por 3-2, na 23.ª jornada da Premier League, continua a dar que falar em Inglaterra.
Não apenas pelo resultado, mas sobretudo pela forma como os red devils se apresentaram em campo. Uma exibição intensa, agressiva e surpreendentemente madura que levou Gary Neville a assumir publicamente o seu espanto.
Em declarações à Sky Sports, o antigo lateral-direito do United não poupou elogios à transformação da equipa num espaço de apenas oito dias. Para Neville, o contraste com o passado recente é tão grande que chega a ser difícil de explicar. Há poucas semanas, o Manchester United parecia uma equipa sem identidade, sem energia e incapaz de competir ao mais alto nível. Frente ao Arsenal, mostrou exactamente o oposto.
Segundo o comentador inglês, as diferenças são claras e visíveis: maior intensidade, agressividade defensiva, capacidade para baixar em bloco, sofrer em conjunto e resistir nos momentos mais complicados do jogo. Neville sublinhou ainda que esta postura foi ainda mais evidente frente aos gunners do que na recente vitória diante do Manchester City, sinal de que algo estrutural mudou dentro do grupo.
Os créditos, segundo Neville, devem ser repartidos entre os jogadores e Michael Carrick, que tem assumido um papel determinante neste período de transição. “Responderam ao que está a ser transmitido”, explicou, admitindo que, de fora, é impossível saber exactamente o que se passa no centro de treinos, mas que a resposta em campo é inequívoca.
Foi neste contexto que Neville introduziu um nome que continua a pairar sobre Old Trafford: Ruben Amorim. O técnico português, frequentemente apontado como potencial futuro treinador do Manchester United, foi usado como referência para ilustrar o quão inesperada tem sido esta reviravolta. Neville confessou que imagina Amorim em casa, a ver o jogo, a perguntar-se “que raio estou eu a ver destes jogadores?”, tal é a diferença em relação ao passado recente.
A ideia de “magia” regressou ao discurso. Não como um conceito romântico vazio, mas como uma sensação colectiva: agressividade com bola, risco assumido, velocidade no ataque, qualidade no contra-ataque e golos de grande nível. Elementos que pareciam ausentes e que, de repente, voltaram a fazer parte do ADN do clube — ainda que, como Neville fez questão de frisar, de forma momentânea.
Resta agora perceber se esta versão do Manchester United é sustentável ou apenas um pico emocional. Para já, a certeza é uma: quando até uma das vozes mais críticas e exigentes da história recente do clube se diz “absolutamente impressionada”, algo mudou mesmo em Old Trafford.