Rui Santos, antigo treinador e coordenador de Francisco Moura na formação do Sp. Braga, saiu em defesa do lateral do FC Porto e deixou um desafio claro a Francesco Farioli: devolver-lhe já a titularidade frente ao CD Nacional.
O lance que permitiu ao Sporting CP empatar no Estádio do Dragão continua a fazer correr tinta, mas há quem peça serenidade e confiança.
Rui Santos, antigo treinador e coordenador de Francisco Moura na formação do Sp. Braga, saiu em defesa do lateral do FC Porto e deixou um desafio claro a Francesco Farioli: devolver-lhe já a titularidade frente ao CD Nacional.
Francisco Moura ficou ligado ao lance que resultou na grande penalidade convertida por Luis Suárez, já em período de descontos, fixando o empate (1-1) no Clássico. Após o apito final de Luís Godinho, o lateral mostrou-se visivelmente desolado, sendo confortado pelos colegas. Nas redes sociais, contudo, a reacção foi bem menos compreensiva, levando o jogador a desactivar os comentários nas suas páginas.
“Os verdadeiros campeões levantam-se”
Em declarações ao Desporto ao Minuto, Rui Santos — actualmente ao serviço dos sub-21 do Al Ahli — mostrou-se convicto de que o jogador saberá ultrapassar o momento.
“O Francisco é um campeão, porque nunca vira a cara à luta. Só quem não está lá dentro é que não comete erros. Os verdadeiros campeões são aqueles que caem e levantam-se as vezes que forem necessárias”, sublinhou.
O treinador recorda ainda os números da época passada: 46 jogos, quatro golos e 10 assistências. No total, Moura soma 68 partidas pelo FC Porto, com sete golos e 13 assistências em duas temporadas. Para Rui Santos, o lateral é “um dos melhores laterais esquerdos de Portugal”, apenas atrás de Nuno Mendes.
“A sociedade é sarcástica. Podemos ter 89 minutos bons e um mau, mas é esse minuto mau que fica na cabeça de muitos adeptos”, lamenta.
Redes sociais e sinal de confiança
Rui Santos considera inteligente a decisão de desactivar os comentários nas redes sociais, lembrando que o mundo virtual pode tornar-se tóxico em momentos de maior exposição mediática.
“Muitas vezes, jogadores e treinadores têm de se abstrair. Há uma linha muito ténue entre o sucesso e o insucesso”, frisou.
Mais do que palavras, o antigo técnico defende um gesto prático de confiança por parte de Farioli. Com as ausências de Martim Fernandes e Jakub Kiwior, Rui Santos acredita que a melhor resposta seria apostar já em Moura na deslocação à Madeira.
“Eu colocá-lo-ia já no próximo jogo. Não é por dois segundos de infortúnio que a carreira de um jogador deve ser julgada. Muitas vezes um jogador falha um penálti e na semana seguinte volta a bater. Porque não dar esse sinal de confiança?”, questiona.
De extremo a lateral moderno
Natural de Braga, Francisco Moura chegou ao clube minhoto em 2011, para integrar os sub-13. Extremo de origem, foi convertido em lateral, aprendendo a defender para se tornar um jogador mais completo.
Hoje, é descrito como um lateral moderno, capaz de fazer todo o corredor, forte ofensivamente mas sem descurar o equilíbrio defensivo. O lance frente ao Sporting é visto por Rui Santos como um mero infortúnio — um braço fora da posição ideal num cruzamento à queima-roupa.
A resposta, essa, poderá surgir já no domingo. E, como lembra o antigo treinador, o futebol raramente se resume a dois segundos.