adeptos-logo
Nacional
09/02/26 às 16:27

Santa Clara fecha a porta à fusão, mas cenário extremo coloca SAD no continente

Clube açoriano garante que não existe qualquer fusão em cima da mesa, mas Bruno Vicintin admite que a continuidade do projecto nos Açores depende do apoio regional ligado à “Palavra Açores”.

O Santa Clara procurou travar a onda de inquietação que se instalou nas últimas horas entre adeptos e sócios, ao emitir um comunicado oficial onde afasta qualquer cenário de fusão da SAD com outro clube do continente. A tomada de posição surge após declarações de Bruno Vicintin, accionista maioritário da Santa Clara Açores, Futebol, SAD, que haviam levantado a hipótese de uma solução drástica caso não exista apoio institucional suficiente para garantir a sustentabilidade do projecto na Região.

Dor de cabeça no Sporting: Ioannidis falha o Dragão e Debast continua envolto em mistério

Segundo o clube, após uma conversa entre a administração e o empresário brasileiro, ficou assegurado que «não existe qualquer fusão da Santa Clara Açores, Futebol, SAD com outro clube». O comunicado, assinado pelo presidente Ricardo Pacheco, sublinha que o Santa Clara «é e será sempre dos Açores», assumindo-se como um símbolo identitário da Região e um dos seus principais embaixadores no futebol nacional.

Na origem do diferendo está a indefinição quanto à aprovação de um apoio do Governo Regional dos Açores, no valor de um milhão de euros, para a promoção da marca “Palavra Açores” na época de 2026/27. Um contrato que, segundo o clube, é estrutural para a viabilidade do projecto, sobretudo tendo em conta os elevados custos logísticos associados à insularidade.

No comunicado, o Santa Clara é claro quanto ao impacto dessa eventual quebra. «Não seria apenas um golpe financeiro, seria uma ferida profunda na presença dos Açores no futebol nacional», pode ler-se, com o clube a garantir que lutará para evitar esse cenário, apelando ao “bom senso” das entidades responsáveis.

Apesar da posição oficial do emblema açoriano, Bruno Vicintin recorreu também às redes sociais para clarificar o seu ponto de vista e não afastou totalmente a possibilidade de uma mudança da SAD para o continente, caso o apoio não se concretize. O empresário recorda os mais de seis milhões de euros investidos no centro de treinos da Ribeira Grande, o pagamento de centenas de salários e o impacto económico positivo do Santa Clara na Região, defendendo que o retorno fiscal ultrapassa largamente o valor do apoio solicitado.

Vicintin garante que nunca negociou qualquer fusão com outros clubes e sublinha que uma eventual saída dos Açores não implicaria mudança de nome ou símbolo, mas apenas uma solução financeira extrema para garantir a sobrevivência do projecto. «Sem esse apoio, é impossível manter o projecto na ilha», escreveu, classificando a situação como uma questão de viabilidade e não de identidade.

O empresário mostrou-se ainda visivelmente incomodado com críticas e acusações surgidas nas redes sociais, anunciando a intenção de avançar com queixas-crime por injúria e difamação, e reforçou que, neste momento, a sua prioridade passa exclusivamente pela recuperação desportiva da equipa principal.

Tudo em aberto no Dragão: os onzes prováveis para o FC Porto-Sporting que pode mudar o campeonato

Num comunicado emotivo dirigido aos sócios, o Santa Clara apelou à união em torno do clube, lembrando o seu peso social, económico e simbólico nos Açores, garantindo emprego a mais de 350 pessoas e injectando anualmente dezenas de milhões de euros na economia regional. A mensagem final é clara: o Santa Clara quer continuar nos Açores, mas precisa de estabilidade institucional para o conseguir.