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Internacional
22/12/25 às 14:47

Sérgio Conceição revela novos planos fora do banco e admite regresso a Itália

Sérgio Conceição vive actualmente uma fase de reinvenção na carreira.

A treinar o Al Ittihad, na Arábia Saudita, o técnico português mantém-se ligado ao ritmo competitivo do futebol de topo, mas começa também a preparar o que vem a seguir — e fá-lo de forma muito pouco comum no meio. Numa entrevista à Gazzetta dello Sport, Conceição falou do passado recente em Itália, do que considera ter feito de positivo no Milan e de uma decisão que revela bem o seu perfil inquieto: voltou a estudar aos 51 anos.

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O treinador fez questão de enquadrar a passagem de seis meses pelo AC Milan como um período com resultados palpáveis, apesar do contexto turbulento. «Balanço do Milan? Positivo», afirmou, lembrando que, desde 2016, apenas dois treinadores conquistaram troféus pelo clube: Stefano Pioli, com o Scudetto, e ele. Conceição acrescentou ainda que, somando os pontos do seu período, a equipa teria um ritmo compatível com o quinto lugar, em zona de Liga Europa. A leitura é clara: no seu entendimento, a equipa respondeu em termos competitivos, ainda que não tenha havido tempo — nem ambiente — para aprofundar trabalho.

O português sublinhou também momentos de afirmação em jogos grandes, evocando os dérbis ganhos e o triunfo frente à Roma, mas não escondeu desilusão com a final da Taça de Itália. «Peço desculpa pela final da Taça de Itália, mas não gostei de algumas coisas», disse, deixando no ar a ideia de que houve factores internos a pesar na forma como o grupo lidou com decisões e detalhes num encontro decisivo. Na mesma linha, descreveu um clube marcado por ruído e instabilidade: «Havia instabilidade no clube, o ambiente à volta da equipa não era bom». Para Conceição, isso ajuda a explicar porque se “agarra” ao que foi conseguido, até porque sente que a direcção não o acompanhou como esperava.

O treinador apontou um exemplo que, no seu entender, ilustra bem a falta de suporte: após a conquista da Supertaça, o Milan jogou com o Cagliari e, segundo Conceição, já circulavam rumores de que o clube estaria a seguir outros treinadores. «Não tive tempo para trabalhar a todos os níveis», recordou, reforçando a narrativa de um projecto curto, instável e condicionado por uma envolvente que, em vez de proteger a equipa, a expôs.

Convidado a escolher uma frase que o represente, Sérgio Conceição foi coerente com a imagem de inconformismo que sempre cultivou. «Em água doce não se conseguem grandes coisas, é preciso a tempestade», afirmou, ligando a ideia à cultura de esforço que diz ter aprendido com os pais e a uma reflexão atribuída a Sinisa Mihajlovic sobre o valor do trabalho duro. E foi precisamente a partir dessa filosofia que revelou o ponto mais inesperado da entrevista: «Não devemos contentar-nos, por isso inscrevi-me na universidade aos 51 anos. Estou a fazer um mestrado em treino desportivo.» Numa altura em que muitos treinadores se fixam apenas na rotina do campo e do balneário, Conceição aposta em formação académica, procurando alargar horizontes num futebol cada vez mais exigente e mais científico.

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Quanto ao futuro, a mensagem foi directa. Regressar a Itália é um cenário que dá praticamente como certo. «Claro, já sei que sim», disse, sem rodeios, alimentando a ideia de que a passagem pelo Milan não foi um ponto final, mas antes um capítulo com margem para continuação — possivelmente noutra praça, ou até num reencontro com um contexto mais estável.