Pelo contrário, segundo a imprensa inglesa, o processo que culminou na saída do treinador português vinha a ganhar forma desde sexta-feira, altura em que o ambiente interno se tornou claramente insustentável.
O despedimento de Ruben Amorim do Manchester United não foi um acto isolado nem uma decisão tomada de forma impulsiva.
Pelo contrário, segundo a imprensa inglesa, o processo que culminou na saída do treinador português vinha a ganhar forma desde sexta-feira, altura em que o ambiente interno se tornou claramente insustentável.
A confirmação oficial chegou esta segunda-feira, mas os sinais já eram visíveis na conferência de imprensa que se seguiu ao empate frente ao Leeds. O tom de Ruben Amorim, visivelmente tenso e desgastado, deixou antever que algo não estava bem nos bastidores de Old Trafford. Pouco depois, começaram a surgir detalhes sobre os acontecimentos que precipitaram a decisão.
De acordo com informações avançadas pela Sky Sports, o momento decisivo ocorreu numa reunião realizada na sexta-feira entre o treinador português e Jason Wilcox, director para o futebol do clube. O encontro teve como tema central a abordagem tática de Amorim e a forma como a equipa vinha a ser preparada jogo após jogo.
Importa sublinhar que a questão não passou pela preferência do técnico pelo sistema 3x4x3, modelo que sempre defendeu ao longo da carreira. O problema, segundo a mesma fonte, esteve na alegada recusa em adaptar esse sistema a diferentes contextos competitivos, fases da época e características do plantel disponível. A direcção pretendia maior flexibilidade e capacidade de ajuste, algo que considerou não estar a ser assegurado.
A resposta de Ruben Amorim durante essa reunião foi descrita como “muito negativa e emocional”, uma reacção que terá desagradado profundamente aos responsáveis do clube. Esse tom acabou por confirmar, aos olhos da direcção, a dificuldade do treinador em alinhar com a visão estratégica pretendida para a equipa principal.
Esse mal-estar prolongou-se nos dias seguintes e ficou patente nas declarações públicas do técnico até domingo, reforçando a ideia de que a relação estava irremediavelmente desgastada. Do lado de Amorim, era igualmente evidente a frustração com aquilo que entendia como interferência excessiva da estrutura superior no seu trabalho diário.
A Sky Sports acrescenta ainda um ponto importante: o despedimento não esteve relacionado com divergências em torno do mercado de transferências de inverno. Apesar de alguma especulação nesse sentido, não foi a política de contratações que ditou o fim da ligação entre treinador e clube.
Com o vínculo agora terminado, Ruben Amorim deverá regressar a Portugal nos próximos dias, encerrando assim uma passagem curta, intensa e marcada por tensão constante no futebol inglês. Para o Manchester United, abre-se mais um capítulo de instabilidade no banco, num contexto que continua longe da desejada tranquilidade.