No Estádio do Dragão, Rui Costa optou por não se sentar ao lado do presidente portista, André Villas-Boas, quebrando um protocolo que, embora não seja obrigatório, é habitual em jogos desta dimensão.
O clássico entre FC Porto e Benfica, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal, ficou marcado não apenas pelo resultado dentro das quatro linhas, mas também por um detalhe fora delas que não passou despercebido.
No Estádio do Dragão, Rui Costa optou por não se sentar ao lado do presidente portista, André Villas-Boas, quebrando um protocolo que, embora não seja obrigatório, é habitual em jogos desta dimensão.
O presidente do Benfica escolheu assistir ao encontro numa zona diferente do camarote presidencial, acompanhado por elementos da sua confiança. Ao seu lado estiveram o chefe de gabinete, Nuno Costa, e o presidente da Mesa da Assembleia Geral encarnada, José Pereira da Costa. Uma decisão discreta, sem declarações públicas associadas, mas que ganhou peso simbólico num contexto de relações institucionais já marcadas por alguma tensão entre os dois clubes.
Este afastamento surge numa fase em que o clima entre Benfica e FC Porto tem sido tudo menos pacífico, com trocas de posições firmes em várias matérias ligadas ao futebol nacional. Embora não tenha havido qualquer incidente formal no Dragão, o simples facto de Rui Costa ter optado por não partilhar o espaço com o homólogo portista foi suficiente para gerar leitura política e institucional do gesto.
Dentro de campo, o jogo foi intenso, equilibrado e decidido num detalhe. O FC Porto venceu por 1-0, com um golo apontado por Bednarek, na sequência de um pontapé de canto, confirmando a eficácia dos dragões nas bolas paradas. O resultado garantiu à equipa azul e branca o apuramento para as meias-finais da prova-rainha, enquanto o Benfica se despediu prematuramente de um dos objectivos da temporada.
Apesar de a partida ter decorrido sem incidentes de maior nas bancadas ou no relvado, o foco mediático acabou por se estender para o camarote. Num clássico onde cada gesto é escrutinado, a distância física entre os dois presidentes foi interpretada como mais um capítulo de uma rivalidade que extravasa largamente o futebol jogado.
No Dragão, falou-se pouco, mas observou-se muito. E, neste caso, a ausência de proximidade acabou por dizer mais do que qualquer declaração oficial.