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Diversos
27/02/26 às 10:02

A estratégia que pode mudar o Sporting dentro e fora das quatro linhas

André Bernardo revelou, num fórum do Financial Times, o plano do Sporting para transformar Alvalade num hub global de entretenimento e duplicar receitas em dez anos. O impacto promete ir muito além do estádio.

O Sporting quer deixar de ser apenas um clube com estádio para passar a ser um verdadeiro ecossistema de entretenimento. A visão foi apresentada por André Bernardo, vice-presidente e administrador da SAD leonina, durante o Business of Football Summit, fórum internacional organizado pelo Financial Times.

Depois de Old Trafford, um destino inesperado no horizonte?

No painel dedicado ao impacto económico e estratégico dos novos estádios europeus, o dirigente traçou um plano ambicioso para a próxima década: transformar Alvalade numa referência enquanto hub global de entretenimento e, com isso, duplicar as receitas do clube nos próximos dez anos.

A localização é vista como um dos trunfos estruturais. A cinco minutos do aeroporto e a 15 minutos de metro do centro de Lisboa, o estádio dispõe ainda de um centro comercial integrado — o Alvaláxia — que foi entretanto readquirido pelo clube e reintegrado na sua estratégia global.

“O nosso estádio deve funcionar como uma plataforma e um ecossistema que sirva os dias de jogo, os dias sem jogo e múltiplas linhas adicionais de receita”, explicou André Bernardo. Num contexto em que receitas como os direitos televisivos tendem a estabilizar, sobretudo num mercado como o português, a diversificação torna-se essencial para sustentar o crescimento.

O dirigente sublinhou que o clube esteve cerca de 16 anos sem realizar investimentos estruturais significativos após a construção do estádio, situação que teve consequências negativas dentro e fora de campo. Para a actual administração, o custo de não investir é superior ao risco associado ao investimento.

A readquisição do Alvaláxia é vista como peça-chave deste plano. A estimativa apresentada aponta para uma multiplicação por cinco das receitas associadas ao centro comercial ao longo da próxima década, ao integrá-lo plenamente na proposta de valor do estádio. O objectivo é captar públicos e segmentos que até aqui não estavam a ser explorados.

André Bernardo revelou ainda que o projecto contou com o envolvimento de 11 investidores de diferentes sectores, sinalizando o interesse que activos desta natureza podem gerar quando existe uma estratégia clara e estruturada.

Mas o impacto pretendido não se limita às contas. O dirigente foi claro ao estabelecer a ligação directa entre crescimento financeiro e competitividade desportiva. “Ao reforçarmos a nossa estrutura operacional, tornamo-nos mais eficazes na gestão de plantel. Podemos investir mais em salários, scouting e desenvolvimento, reter jogadores por mais tempo e negociar com maior poder”, explicou.

A lógica é simples: melhores infraestruturas e receitas mais robustas permitem maior estabilidade, o que, por sua vez, aumenta a capacidade competitiva da equipa principal. Num ciclo virtuoso, o sucesso desportivo reforça novamente a sustentabilidade financeira.

Uma resposta com bola no fundo da baliza… e recado incluído

Num momento em que o Sporting soma três campeonatos nos últimos cinco anos e é bicampeão nacional, o plano apresentado pretende consolidar essa trajectória de sucesso com bases estruturais sólidas. A transformação de Alvalade poderá ser, assim, não apenas uma operação imobiliária ou comercial, mas uma mudança estrutural no modelo de negócio leonino.