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Internacional
12/02/26 às 09:37

“Colonizado por imigrantes”: declarações de Ratcliffe geram tempestade política e revolta entre adeptos do Manchester United

As palavras de Sir Jim Ratcliffe estão a provocar uma forte onda de indignação no Reino Unido. O co-proprietário do Manchester United concedeu uma entrevista à Sky Sports onde abordou a situação económica britânica e deixou declarações que rapidamente incendiaram o debate político e social.

Ratcliffe, que há pouco mais de um mês deu luz verde à demissão de Ruben Amorim do comando técnico dos red devils, afirmou que o Reino Unido foi “colonizado por imigrantes” e que o actual modelo económico se tornou insustentável. “Não podes ter uma economia com nove milhões de pessoas sob subsídios e níveis enormes de imigrantes a chegarem. O Reino Unido foi colonizado. Está a custar demasiado dinheiro”, declarou.

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O empresário sustentou a sua posição com números populacionais, referindo que o país passou de 58 milhões de habitantes em 2020 para 70 milhões na actualidade — um aumento de 12 milhões de pessoas. Ratcliffe questionou ainda a liderança política do país, mencionando directamente o primeiro-ministro, Keir Starmer.

“Não sei se foi apenas o sistema que não permitiu ao Keir fazer algo, ou se é apenas demasiado simpático. O Keir é um homem simpático, eu gosto dele, mas é um trabalho duro”, afirmou, acrescentando que, na sua opinião, são necessárias decisões impopulares para “recolocar o Reino Unido nos eixos”.

O empresário foi mais longe ao declarar apoio a Nigel Farage, líder do partido Reform UK. “Penso que o Nigel é um homem inteligente e tem boas intenções”, afirmou, ainda que reconhecendo qualidades semelhantes em Starmer.

Adeptos não perdoam

A reacção não tardou. O The 1958, um dos maiores grupos organizados de adeptos do Manchester United, divulgou um comunicado duro, classificando a entrevista como “uma vergonha total”.

No texto, os adeptos criticam o facto de Ratcliffe comentar questões internas do país enquanto reside no Mónaco, numa clara referência à sua residência fiscal fora do Reino Unido. “Comentar as questões do nosso país, ao mesmo tempo que vive no Mónaco para evitar pagar impostos, é mau o suficiente”, pode ler-se.

O grupo acrescenta que o empresário está “completamente fora do entendimento do núcleo da massa associativa” que construiu a identidade histórica do clube, considerando as declarações preocupantes para todos os adeptos.

Resposta imediata de Starmer

O próprio Keir Starmer reagiu através da rede social X, demarcando-se de forma clara. “Ofensivo e errado. A Grã-Bretanha é um país orgulhoso, tolerante e diverso. Jim Ratcliffe deveria pedir desculpa”, escreveu o primeiro-ministro.

As declarações surgem numa fase delicada para o Manchester United, tanto dentro como fora de campo, e acrescentam pressão sobre a liderança do clube. Para muitos adeptos, o futebol e a política deveriam manter-se em esferas distintas, sobretudo quando as palavras do principal investidor tocam em temas sensíveis como imigração, identidade nacional e economia.

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Resta saber se Ratcliffe irá recuar ou clarificar as suas palavras. Para já, o impacto mediático e político está longe de dissipar-se — e Old Trafford volta a ser palco de turbulência, ainda que desta vez fora das quatro linhas.