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Nacional
19/02/26 às 18:18

“Ele jogou comigo, não eu com ele”: Figo fala de Ronaldo, Messi e da transferência que mudou tudo

Luís Figo revisitou a carreira no podcast Obi One, falou da relação com Cristiano Ronaldo, recusou comparações com Messi e recordou a polémica saída do Barcelona para o Real Madrid, além da era dos Galácticos.

Luís Figo voltou a percorrer os capítulos mais marcantes da sua carreira numa longa conversa no podcast Obi One. O antigo capitão da Seleção Nacional abordou a relação com Cristiano Ronaldo, a histórica transferência do Barcelona para o Real Madrid e os bastidores da era dos Galácticos, deixando reflexões que ajudam a contextualizar uma das trajectórias mais mediáticas do futebol europeu.

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Sobre Cristiano Ronaldo, Figo foi claro e bem-humorado: «Ele jogou comigo, não eu com ele», atirou, entre risos, sublinhando que já integrava a equipa principal quando o jovem extremo entrou na Seleção. Ainda assim, fez questão de destacar o talento precoce do agora capitão das quinas. «Dava para ver que ele era um talento incrível. Com 18 anos tinha técnica, velocidade, jogava com os dois pés e saltava muito alto. Era incrível naquela época e continua a ser.»

O antigo internacional afastou qualquer ideia de rivalidade ou ciúmes. Pelo contrário, deixou elogios firmes: «Tenho a maior admiração por ele. É um exemplo, leva o nome de Portugal para todo o lado. Os recordes, a fome de querer ser sempre melhor e competitivo… são só palavras boas.»

Questionado sobre o lugar de Ronaldo na história do futebol, Figo recusou alinhar em comparações com Lionel Messi ou outras lendas. «Não gosto de comparar porque alguém vai ter de perder. Não posso comparar Maradona com Messi, nem Eusébio com Cristiano. São jogadores diferentes, de épocas diferentes. É como comparar caviar com trufas. Ambos são ótimos.»

Barcelona, Real Madrid e a decisão que mudou uma era

Figo também revisitou a polémica transferência do Barcelona para o Real Madrid no ano 2000, uma das mais controversas da história do futebol. Recordou que tudo começou durante o Euro 2000, quando o seu agente lhe falou de um candidato à presidência do Real Madrid disposto a pagar a cláusula de rescisão, fixada em 60 milhões de euros — um valor astronómico à época.

«Disse ao meu agente para ouvir. Falei com o presidente do Barcelona e ele disse para trazer o dinheiro, pensou que era bluff», explicou. Admitiu ainda ter cometido um erro ao garantir publicamente que ficaria no Barcelona. «Na altura achava mesmo que ia ficar. Mas o processo foi crescendo como uma bola de neve.»

O regresso ao Camp Nou com a camisola do Real Madrid ficou marcado por forte hostilidade, incluindo o célebre episódio da cabeça de porco atirada para o relvado. Figo lamentou sobretudo o impacto pessoal. «Haviam cartazes com a cara da minha filha, que tinha apenas um ano. Isso passou os limites.»

A era dos Galácticos e o equilíbrio dos egos

Já em Madrid, integrou o projecto dos Galácticos, ao lado de nomes como Raúl, Hierro, Makélélé, Roberto Carlos e David Beckham. Questionado sobre quem era o seu favorito nesse balneário repleto de estrelas, respondeu com ironia: «Eu!», antes de reconhecer a qualidade colectiva.

Figo destacou a importância da componente humana para o sucesso do grupo. «Não é fácil gerir egos quando todos são os melhores do mundo. Mas conseguimos colocar as nossas qualidades ao serviço do colectivo.»

Sobre Beckham, sublinhou que foi muitas vezes subestimado devido à sua imagem mediática. «Era um profissional fantástico, corria o jogo todo e colocava o talento ao serviço da equipa.»

Na mesma conversa, Figo esclareceu ainda que nunca rejeitou Sir Alex Ferguson, embora tenha admitido contactos com Rafa Benítez quando ponderava sair do Real Madrid. Acabaria por escolher o Inter, valorizando a ligação e o sentimento criado com Massimo Moratti.

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Entre episódios polémicos, momentos de glória e reflexões sobre o futebol moderno, Figo mostrou-se sereno na forma como olha para o passado. Uma carreira feita de decisões difíceis, talento reconhecido e impacto duradouro no futebol europeu.