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Nacional
13/01/26 às 19:06

Mourinho defende Sudakov antes do Clássico: «Nem quero pensar em ter uma pessoa que amo num cenário de guerra»

Na antevisão ao Clássico dos quartos de final da Taça de Portugal, agendado para quarta-feira, às 20h45, no Estádio do Dragão, José Mourinho deixou uma das declarações mais marcantes da semana ao abordar a situação de Giorgi Sudakov.

Questionado sobre a possibilidade de mexer no flanco esquerdo do Benfica frente ao FC Porto, o treinador encarnado optou por uma resposta longa, ponderada e profundamente humana.

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A questão surgiu na sequência do lance que marcou a meia-final da Taça da Liga frente ao SC Braga, quando Sudakov não conseguiu travar defensivamente a arrancada de Rodrigo Zalazar, culminando no segundo golo bracarense. Mourinho não fugiu à análise do erro, mas recusou qualquer leitura simplista ou punitiva. «Os erros individuais pagam-se. Há tipos de erros que aceito com mais facilidade do que outros», começou por explicar, sublinhando que, apesar do mérito do adversário, houve um claro demérito coletivo do Benfica nesse lance.

O técnico fez questão de enquadrar o momento vivido por Sudakov, indo muito além do plano estritamente desportivo. Mourinho lembrou as dificuldades físicas do jogador, a ausência de uma pausa invernal como aquela a que estava habituado e, sobretudo, o contexto pessoal e emocional de quem vem de um país em guerra. «Nem quero pensar em ter uma pessoa que amo, no caso dele várias, num cenário de guerra, sem saber qual pode ser o último dia, se amanhã voltará a falar com eles», afirmou, num discurso raro pela empatia demonstrada.

Para Mourinho, este contexto tem, inevitavelmente, impacto num jovem jogador que está a adaptar-se a uma realidade competitiva muito mais exigente. Ainda assim, deixou claro que apoio não significa ausência de crítica. «Não lhe vou dizer que fez bem em deixar o Zalazar ir ali e rebentar com tudo», frisou, acrescentando que há atenuantes que não podem ser ignoradas quando se analisa o rendimento de Sudakov.

Quanto ao Clássico no Dragão, Mourinho admitiu que poderá ponderar alterações, reconhecendo que a questão colocada faz sentido. Seja através de um jogador com maior responsabilidade defensiva ou de alguém capaz de impor respeito ofensivo naquele corredor, o treinador deixou em aberto várias soluções, num jogo que antevê exigente do ponto de vista táctico e emocional.

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Às portas de um duelo decisivo, as palavras de José Mourinho revelam um treinador focado no rendimento, mas também consciente do lado humano do futebol, num contexto em que a pressão competitiva se cruza com realidades pessoais impossíveis de ignorar.