O protesto, que acabou por resultar num verdadeiro cerco ao centro de estágio, terminou apenas depois de uma reunião entre os adeptos e responsáveis do clube, já no interior das instalações.
A manhã deste sábado ficou marcada por momentos de grande tensão junto ao Benfica Campus, onde cerca de 200 adeptos do Benfica se concentraram para manifestar o seu descontentamento com o atual momento da equipa.
O protesto, que acabou por resultar num verdadeiro cerco ao centro de estágio, terminou apenas depois de uma reunião entre os adeptos e responsáveis do clube, já no interior das instalações.
A concentração começou logo pelas 8h00, numa altura em que o plantel já se encontrava no complexo a preparar o último treino antes da receção ao Estrela da Amadora. À medida que o número de manifestantes aumentava, os adeptos posicionaram-se junto à entrada principal do Benfica Campus, condicionando a circulação de pessoas e viaturas. Apesar do clima tenso, não se registaram incidentes de violência, embora a presença policial tenha sido reforçada ao longo da manhã.
Na base do protesto esteve o desagrado generalizado com a época desportiva dos encarnados. O afastamento precoce das taças nacionais, o atraso pontual significativo no campeonato e a recente derrota frente à Juventus, que complicou seriamente as contas do apuramento europeu, foram apontados como os principais motivos para a contestação.
Após várias horas de exigências para serem recebidos, e já depois de contactos internos, foi autorizada a entrada de representantes dos adeptos no complexo. A decisão partiu do diretor-geral Mário Branco, depois de consultar o presidente Rui Costa, que não esteve presente no local. Primeiro entraram quatro adeptos, seguindo-se, pouco depois, a abertura das portas para a totalidade dos manifestantes.
O encontro decorreu em dois momentos distintos, primeiro no auditório e depois no relvado principal. Do lado do clube estiveram, além de Mário Branco, o diretor técnico Simão Sabrosa, o treinador José Mourinho e os quatro capitães de equipa: Nicolás Otamendi, António Silva, Fredrik Aursnes e Tomás Araújo.
Em comunicado oficial, o Benfica sublinhou que a conversa decorreu num “ambiente de enorme respeito, cordialidade e espírito construtivo”, salientando a importância da união numa fase decisiva da temporada. A intervenção de José Mourinho acabou por ser determinante para o desfecho do protesto. O treinador pediu paciência aos adeptos, apontou alguns fatores externos, como lesões e decisões de arbitragem, e garantiu o total empenho do plantel até ao final da época.
Depois dessas palavras, os cerca de 200 adeptos abandonaram de forma ordeira o Benfica Campus, pondo fim a uma manhã marcada por contestação, mas também por diálogo direto entre clube e massa associativa.