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Internacional
01/03/26 às 16:16

A solução estava ali… e ninguém viu: o novo rumo de um gigante inglês

Michael Carrick soma seis jogos sem perder no comando interino do Manchester United e devolveu estabilidade ao clube. Mudança tática, ambiente renovado e união no balneário marcam a nova era em Old Trafford.

A transformação do Manchester United nas últimas semanas tem um protagonista improvável. Michael Carrick, antigo médio dos red devils, assumiu o comando técnico de forma interina após a saída de Ruben Amorim e, em apenas seis semanas, mudou o rumo de uma época que parecia à deriva.

O trabalho de investigação do diário britânico The Telegraph traça um retrato detalhado desta reinvenção. A ironia, contam fontes de Carrington, é evidente: durante meses, Carrick aguardava no carro pelo filho, Jacey, jogador das camadas jovens, a escassos metros do gabinete de Amorim. “A solução esteve a 100 metros do escritório e ninguém percebeu”, confidenciou uma fonte ao jornal.

Os números falam por si. Carrick soma seis jogos sem perder, com cinco vitórias e um empate. Entre os resultados mais marcantes está um suado triunfo por 1-0 no terreno do Everton e uma vitória por 2-0 sobre o Manchester City, descrita como uma das melhores exibições do clube desde a era de Sir Alex Ferguson. O United é, aliás, a única equipa a bater o líder Arsenal no Emirates em qualquer competição desde maio passado.

A mudança começou dentro das quatro linhas. Carrick abandonou o 3-4-2-1 implementado anteriormente e regressou ao 4-2-3-1, sistema que devolveu conforto a várias peças-chave. Bruno Fernandes voltou à posição 10, Kobbie Mainoo recuperou espaço no onze e Casemiro reencontrou protagonismo, numa fase em que prepara a saída no verão, mas quer despedir-se em alta.

Benjamin Sesko atravessa também um momento de forma impressionante, com seis golos em sete jogos, incluindo o decisivo frente ao Everton. O avançado tem destacado o trabalho individual desenvolvido com a equipa técnica, onde pontificam nomes experientes como Steve Holland, Jonathan Woodgate e Jonny Evans.

As mudanças não se ficaram pelo relvado. Carrick introduziu ajustes subtis mas simbólicos na rotina da equipa: folgas ao domingo após jogos ao sábado para maximizar o tempo em família, partida do autocarro atrasada 15 minutos para permitir maior contacto com adeptos e um ambiente mais próximo nos bastidores. O técnico acompanha regularmente os sub-21 e sub-18, reforçando a ligação à academia.

Nos treinos, as sessões tornaram-se mais curtas e intensas, com reuniões breves e maior foco individualizado. A ausência de competições europeias ofereceu tempo raro para trabalhar, algo que o clube reconhece como fator determinante neste novo ciclo.

Dentro do balneário, os sinais de união multiplicam-se: celebrações efusivas entre suplentes, abraços coletivos após os golos e uma clara sensação de percurso partilhado. Depois da turbulência da era Amorim — período em que, segundo o Telegraph, os dirigentes receavam cada conferência de imprensa —, Carrick devolveu serenidade e previsibilidade.

A hierarquia do clube promete uma busca exaustiva por um treinador permanente, mas a consistência apresentada reforça a candidatura do antigo médio. Para já, o objetivo é claro: garantir o acesso à Liga dos Campeões, imperativo para um clube cuja dívida se aproxima dos 1,3 mil milhões de libras.

Carrick mantém os pés assentes na terra. “É apenas o começo”, insiste. Um começo que, em Old Trafford, já devolveu esperança a quem parecia ter perdido o rumo.

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